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Gestão ambiental atrai fundos de investimentos

OESP, Economia, p. B16
16 de Mai de 2007

Gestão ambiental atrai fundos de investimentos
Stratus investe na Ecosorb, empresa de prevenção de acidentes ambientais

Andrea Vialli

O fundo de investimentos Stratus VC III vai investir cerca de R$ 20 milhões na empresa Ecosorb, especializada na prevenção de acidentes ambientais e gestão de riscos nessa área. Trata-se do primeiro investimento do fundo, voltado a prospectar negócios na área ambiental. O investimento mostra o interesse desses fundos por empresas com foco na sustentabilidade e também o crescimento da indústria de tecnologias e serviços ambientais no Brasil.

O plano de investimentos para a Ecosorb prevê a abertura de oito novas bases da empresa em pontos estratégicos - próximos a grandes obras de infra-estrutura, como portos, rodovias, plantas de mineração e plataformas de petróleo e gás natural. Estão previstos aportes entre R$ 1 milhão a R$ 2 milhões por unidade, nos próximos três anos, explica Philippe Lisbona, diretor do Stratus VC III. 'Estamos aproveitando um momento oportuno do mercado, já que as obras previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) vão demandar gestão dos impactos ambientais.'

Os recursos,oriundos de investidores como Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás), BNDES, Finep e BID, vão possibilitar a expansão da empresa, criada em 1998 pelo empresário Rogério Igel, do Grupo Ultra. 'Vamos oferecer desde gestão de emergências, como acidentes, até desenvolvimento de estratégias nesse campo com as empresas', diz Eugênio Singer, presidente da Ecosorb.

O investimento mostra ainda o crescimento da indústria ambiental no País. Estima-se que o segmento já movimente US$ 6,9 bilhões na economia brasileira - entre tecnologias e serviços - e tem amplo potencial de crescimento. 'Há uma nova atitude da indústria de cuidar de seus riscos ambientais', diz Carlos Celso do Amaral, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e especialista em gestão ambiental. 'As motivações são as leis ambientais, a pressão da opinião pública e também a preservação da imagem da empresa, hoje seu maior patrimônio.'

Amaral diz que o efeito impulsionador dessa indústria foram os acidentes ambientais registrados no País entre as décadas de 1970 e 1980. 'Hoje, dificilmente um grande empreendimento escapa da análise de risco ambiental', diz. 'Já é uma exigência dos bancos e seguradoras.'

CARTEIRA VERDE

Atentos a questões globais como as mudanças climáticas, os fundos de investimentos estão propensos a investir em tecnologias menos poluentes e biocombustíveis. Só o Stratus VC III possui uma carteira de R$ 100 milhões para investimentos com esse perfil. De acordo com Lisbona, o momento é oportuno. 'Há um grande interesse de fundos estrangeiros em investir nas áreas de tecnologias limpas e biotecnologia no Brasil', diz. 'É a chance de atrair esse capital.'

A Rio Bravo Investimentos, fundo que tem entre os sócios Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, também aposta em empresas com foco em sustentabilidade. A empresa está lançando um fundo de US$ 100 milhões para empresas em estágio inicial, e já prospecta empresas nas áreas de biocombustíveis, energia eólica e gestão ambiental. Em paralelo, a Rio Bravo administra outro fundo com esse perfil, cujo investidor-âncora é o fundo americano Global Environment Fund. Antes, já havia feito investimentos em três empresas nordestinas, das áreas de eficiência energética e alimentos orgânicos.

'O setor de serviços ambientais nos mercados emergentes cresce mais do que as economias desses países', diz Maurício Marçal, gestor de investimentos da Rio Bravo. 'O setor está diretamente ligado a infra-estrutura, e os emergentes são deficitários nesse campo. Seguramente, esse mercado cresce acima de dois dígitos.'

OESP, 16/05/2007, Economia, p. B16

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