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Gasoduto até o Pará custaria US$ 1,1 bi

O Liberal-Belém-PA
12 de mai de 2004

Custos elevados são entraves à proposta do uso de gás natural em veículos

A tubulação para interligar a Belém o gasoduto de Brasília - que recebe gás da Bolívia -, passando por Fortaleza custaria US$ 1,1 bilhão somente no trecho de interesse do Pará e não tem fonte de recurso definida. Essa dificuldade mostra que a iniciativa ainda está longe de virar realidade, apesar de mostrar-se com uma das futuras alternativas para viabilizar a utilização do gás natural em veículos e na indústria do Pará, atualmente um dos poucos Estados do país que ainda não dispõe do produto nos postos de combustíveis.

Esses dados foram apresentados pela Secretaria Estadual da Indústria e Comércio (Seicom), durante sessão especial, na Assembléia Legislativa, que discutiu formas de trazer gás natural para abastecer o mercado paraense. O governo do Estado está concluindo estudo de viabilidades técnicas para a criação da Companhia de Gás, proposta do deputado Alessandro Novelino (PL) que ainda esbarra no fato do Pará não dispor de gás natural, precisando importar o produto de outros Estados.

"Antes de criar a Companhia de Gás, precisamos definir de que forma o produto chegará ao Pará e também estudar a viabilidade econômica", explicou o diretor de mineração da Seicom, Taylor Collyer. Além da proposta de construção da tubulação para trazer o gás por via subterrânea de Brasília a Belém, outra solução, segundo a Seicom, seria adquirir os chamados navios criogênicos, adaptados para o transporte do gás. "Cada navio custa US$ 600 milhões. Para viabilizar, teríamos que despertar o interesse de uma empresa como a Albrás, que passaria a consumir grande parte do produto, garantindo retorno econômico", informa Taylor Collyer. As duas alternativas apresentadas no relatório do governo, ainda dependem da decisão da Petrobrás, que ainda não se posicionou, segundo informou a Seicom. Mesmo convidada, a Petrobrás também não mandou representante à AL.

No projeto de lei que tramita na Assembléia, o deputado João de Deus (PSB) chegou a levantar a possibilidade de trazer o gás do Gasoduto de Urucum, no Amazonas, mas a alternativa foi descartada pelo diretor de mineração da Seicom, Taylor Collyer, por causa dos danos ambientais que poderiam ocorrer com a construção de tubulação por baixo da terra. "Os riscos de desastres ambientais são grandes e não podemos arriscar ameaçando o meio ambiente", afirma Collyer. Segundo o diretor, o transporte do produto via rodoviária também é pouco viável devido, principalmente por causa da demanda que seria exigida pelo mercado."

Com as estradas ruins e com a necessidade de trazer grandes quantidades do produto, considerando que só a indústria consumiria mais de 1 milhão de metros cúbicos de gás por dia, o transporte rodoviário não é a solução", garante Collyer. A única solução caseira para abastecer o mercado paraense seria a exploração do gás descoberto no município de Chaves, no Marajó. "Ainda são feitos estudos para se saber a quantidade de gás existente em Chaves, mas tudo indica que a reserva é pequena", adianta o diretor.

Integração - De acordo com a Seicom, a proposta mais viável seria mesmo o chamado Gasoduto da Integração, trazendo o gás de Brasília e passando pelo Maranhão e Piauí, que também não dispõem de gás natural no mercado. Mas isso dependeria de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BNDES), no valor total de US$ 2,5 bilhões de dólares, conforme cálculos da Secretaria Estadual da Indústria e Comércio (Seicom), sendo que, somente para viabilizar o trecho até o Pará, o custo seria de mais de US$ 1 bilhão.

Quatorze Estados brasileiros já utilizam o gás natural em veículos e na indústria em substituição ao combustível e para gerar energia, barateando custos e poluindo menos o meio ambiente. Segundo a Petrobrás, o Brasil deverá consumir 10 milhões de metros cúbicos por dia d gás natural nos próximos 10 anos. De acordo com o deputado João de Deus (PSB), que solicitou a sessão especial para debater o assunto, a emissão dos gases tóxicos expelidos dos veículos a gás natural é muito menor que os automotores à base de gasolina. "As emissões de monóxido de carbono do gás natural são 70% inferiores. O gás natural representa economia de 60%", garante o deputado, ao afirmar que o produto também causa menos danos aos motores dos veículos. O parlamentar também apresentou projeto, ainda em tramitação, que instituindo o uso do gás natural no Pará, com base no Decreto No 1796/96, da Presidência da República.

O Sindicato Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Pará (Sindepa), garante que, se os governos definiram formas de trazer o gás para o Estado, não haverá problemas na comercialização. "Já temos o exemplo de outros Estados, nos quais a comercialização do gás é lucrativa,", afirma Mário Melo, presidente do sindicato. Na Região Metropolitana de Belém existem 136 postos de combustíveis. Já o Sindicato dos Taxistas defende a utilização imediata de gás nos veículos, como forma de baratear os transporte público, tanto os táxis como os ônibus. "Se não dá ainda para usar o gás natural, o governo Federal deveria revogar a lei que proíbe o uso de gás de cozinha em veículos", afirma Alain Castro, do sindicato dos taxistas. A utilização de GLP (gás de cozinha) em veículos é proibida na lei 8116/91.

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