GM, Saneamento & Meio Ambiente, p.A10
23 de Jan de 2004
Gás do lixo vai gerar 22 MW para São Paulo
São Paulo, 23 de Janeiro de 2004 - A capital paulista terá a primeira central de geração de eletricidade a partir do lixo urbano disposto em aterro sanitário da América Latina. Como parte das comemorações do aniversário de 450 anos da cidade, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente da prefeitura inaugura hoje a Usina Termoelétrica Bandeirantes, fruto de parceria com a Biogás Energia Ambiental e o Unibanco, com apoio da AES Eletropaulo. A usina funcionará junto ao aterro sanitário Bandeirantes, uma área de 1,5 milhão de m² que recebe em torno de sete mil toneladas de lixo por dia, a metade do que a cidade de São Paulo produz. Os resíduos em decomposição são responsáveis pela geração de 18 mil m³/hora de gases bioquímicos (GBQ), sendo o principal deles o metano (CH4), considerado um gás de efeito estufa. Parte desse volume, em torno de 10 mil m³/hora, servirá para alimentar os 24 motores geradores que juntos têm uma potência de 22 MW, energia capaz de abastecer uma cidade de 200 mil habitantes. O gás excedente, em torno de 8 mil m³/hora, poderá futuramente ser utilizado para aumentar a capacidade da potência instalada ou como combustível veicular (GNV), alternativa ainda sob estudos. Para sua viabilização, a usina recebeu investimentos da ordem de R$ 60 milhões, provenientes do Unibanco e da Biogás. Foram construídas 50 km de redes coletoras para capturar o gás, que é levado a um ponto central junto à usina. As operações são controladas por um painel de lógica programável, que regula automaticamente o fluxo de gás em função da demanda proveniente dos motores-geradores. Ganho ambiental A tecnologia utilizada, da empresa holandesa Van Der Wiel, sócia da Biogás no empreendimento, é a mesma que está presente em aterros sanitários de cidades européias como Londres, Barcelona, Paris e Roterdã. De acordo com o engenheiro Elmar Silvestre Michels, diretor superintendente da Biogás, o ganho ambiental proveniente da não-emissão desses gases será expressivo. "Em uma avaliação preliminar, concluímos que deixaremos de lançar 8 bilhões de toneladas de CH4 na atmosfera, ao longo dos próximos 15 anos, período previsto no contrato de concessão", afirma. A energia elétrica gerada entrará no sistema de transmissão da AES Eletropaulo e será encaminhada a loteamentos próximos da usina. A energia produzida será descontada da conta do Unibanco, que terá um "crédito" de abastecimento que poderá alimentar em torno de 1.000 agências da instituição. Obterá, com isso, uma redução de custos com energia da ordem de 20%. Outro benefício que a usina poderá trazer é a comercialização de certificados de redução de emissões num futuro mercado de créditos de carbono. Os dividendos provenientes dessas negociações seriam rateados em 50% para a prefeitura de São Paulo e 50% para a Biogás. Municípios em todo o País já estão se mostrando interessados na tecnologia, que só pode ser implantada em aterros construídos de forma regular. "Em lixão não dá. Tem que ser em aterro sanitário que possua a infra-estrutura exigida na legislação", diz Michels. O sucesso da usina poderá, na visão do engenheiro, colocar em evidência o problema do lixo urbano e fomentar a construção de aterros sanitários nos municípios que utilizam vazadouros a céu aberto - os lixões, que recebem diariamente 34 mil toneladas de resíduos em todo o Brasil, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, de 2000.
GM, 23-25/01/2004, p. A10
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