Um só Planeta - umsoplaneta.globo.com
Autor: Marco Britto , para Um Só Planeta
07 de Mai de 2026
Entre janeiro e setembro de 2025, um total de 335 hectares foram desmatados em territórios indígenas na Bacia do Xingu devido à mineração ilegal na região. É o que aponta estudo publicado esta semana pela organização Amazon Conservation e pelo ISA (Instituto Socioambiental). O mapeamento usou imagens de satélite, radar e inteligência artificial para detectar áreas modificadas e identificar a atividade do garimpo.
Segundo o relatório, pelo menos 11.500 hectares de floresta foram perdidos entre 2018 e 2024 em territórios indígenas e áreas protegidas na bacia do rio Xingu, que se estende entre os estados de Mato Grosso e Pará.
Na terra indígena Kuruaya, no Pará, a mineração ilegal se intensificou ao longo do rio Madalena, aponta o monitoramento. Entre 2023 e julho de 2025, a área afetada ultrapassou 34 hectares. Na terra indígena Baú, no mesmo estado, o relatório identifica pelo menos 110 hectares de floresta destruída, além de incidentes documentados de conflito armado entre garimpeiros e povos indígenas.
A situação mais crítica, segundo os pesquisadores, se encontra na terra indígena Kayapó, que apresenta a maior área desmatada pela mineração ilegal na Amazônia brasileira. Os dados do relatório, baseados na plataforma Amazon Mining Watch, indicam um total acumulado de aproximadamente 7.940 hectares impactados, incluindo 140 hectares entre janeiro e setembro de 2025.
"Apesar das operações do governo federal em maio para remover garimpeiros e equipamentos, pelo menos dois novos hectares de atividade de mineração foram detectados em junho", afirma comunicado das instituições que produziram o mapeamento.
"Os dados dos sistemas de monitoramento utilizados por ambas as instituições não deixam dúvidas de que o Corredor do Xingu enfrenta um cenário de pressão crescente e generalizada, com a mineração ilegal avançando para áreas que até então permaneciam intactas. Para lidar com essa situação, é necessária uma resposta estrutural de longo prazo que garanta a integridade dessas florestas e das populações que delas dependem", afirma Thaise Rodrigues, Analista de Geoprocessamento do ISA.
Assine aqui a nossa newsletter
Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade.
Cadastrar meu email
As principais recomendações do estudo incluem a criação de uma força-tarefa interinstitucional permanente para desmantelar redes logísticas de mineração; o fortalecimento de órgãos de fiscalização como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas); a expansão do monitoramento territorial liderado pela comunidade; e o avanço da rastreabilidade da cadeia de suprimentos de ouro com maior transparência em relação à sua origem.
O mercúrio vaporizado na separação do ouro se espalha pelo ar e cai no solo e na água, contaminando rios, cursos d'água e peixes - base da alimentação de indígenas e das populações ribeirinhas, podendo causar problemas neurológicos.
Além da contaminação por mercúrio, o garimpo ilegal provoca degradação de ecossistemas com desmatamento, remoção intensiva de solos e alteração do curso dos leitos dos rios.
Siga o Um só Planeta:
https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/05/07/garimpo-desm…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.