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Futuro da Amazônia nunca foi tão nebuloso

OESP - https://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral
Autor: ARNOLD, Chris Feliciano
08 de out de 2020

Futuro da Amazônia nunca foi tão nebuloso
Ambientalistas veem o desaparecimento de uma floresta tropical com consequências globais; indígenas veem uma casa ancestral que continua a ser explorada

Chris Feliciano Arnold* , The New York Times
08 de outubro de 2020 | 10h00
Atualizado 08 de outubro de 2020 | 10h00

Em meio a conflitos políticos e fumaça visível do espaço, o futuro da Amazônia nunca foi tão nebuloso. Ambientalistas veem o desaparecimento de uma floresta tropical com consequências globais. Líderes indígenas veem uma casa ancestral que continua a ser explorada por colonos após 500 anos de violência genocida. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, vê uma área valiosa desperdiçada por "homens das cavernas" e marxistas.
Sessenta por cento da maior floresta tropical do mundo está dentro das fronteiras do Brasil, e desde 2006 viajei milhares de quilômetros na Amazônia, testemunhando como o rio e seus povos passaram por um século de mudanças ecológicas e culturais em uma geração. Durante algumas semanas no ano passado, um recorde de incêndios na região chamaram a atenção do mundo com uma intensidade que lembra as campanhas de Save the Rainforest da década de 1980, mas este ano, a terra está queimando durante uma pandemia que interrompeu viagens, atrapalhou esforços de proteção do meio ambiente e incentivou mineiros, madeireiros e fazendeiros a invadir terras indígenas com impunidade.
Em maio, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi flagrado em vídeo sugerindo a Bolsonaro que use a distração do coronavírus para afrouxar as regulamentações ambientais: "Enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de covid", disse ele, enquanto valas comuns estavam sendo cavadas para as vítimas do coronavírus em Manaus, capital do Estado do Amazonas.
II.
Bolsonaro, que no mês passado culpou os "camponeses e índios" pelos incêndios florestais, personifica a história brutal da Amazônia. "Capitão Motosserra", como ele apelidou a si mesmo, passou seus anos de formação como paraquedista do Exército, idolatrando os generais e autocratas da ditadura que, apoiada pelos Estados Unidos, governou o Brasil de 1964 a 1985.
Durante o "Milagre Econômico" do Brasil na década de 1970, o presidente militar Emílio Médici proclamou a Amazônia "uma terra sem homens para homens sem terra", sugerindo que sua selva não desenvolvida e suas tribos instáveis eram ao mesmo tempo a causa e a solução dos problemas do Brasil. "Precisamos iniciar o relógio da Amazônia," escreveu em 1971, incitando o Brasil a compensar o tempo perdido abrindo a Rodovia Transamazônica de 4 mil quilômetros que passa pelo coração da floresta. Brasileiros do Nordeste assolados pela seca poderiam começar uma nova vida ao longo da rodovia, resolvendo "o problema dos índios" no caminho.
Para os migrantes que atenderam ao chamado de Médici, o caminho para a salvação terminou em fome. O rico solo superior de seus terrenos recém-desmatados foi arrastado por chuvas torrenciais. A maioria foi forçada a abandonar seus sonhos, mas não antes que inúmeras tribos fossem massacradas, devastadas por doenças ou realocadas à força, às vezes minutos antes da chegada das escavadoras.
Décadas depois, caminhões madeireiros e reboques de gado, em milhares de estradas, bravejavam floresta adentro, a partir da Transamazônica e rodovias semelhantes. Ao longo da delicada bacia hidrográfica do Amazonas - responsável por mais de 15 por cento da descarga de rios nos oceanos do planeta - gasodutos e hidrelétricas bombeiam energia para as cidades de todo o Brasil. Fazendas industriais enviam bilhões de dólares em carne bovina e soja para um mundo faminto. Manaus é sede de fabricantes multinacionais como Harley Davidson e Samsung ao lado de laboratórios de biotecnologia e institutos que são referência de pesquisa na floresta tropical.
Trinta milhões de pessoas vivem na Bacia Amazônica - mais do que as populações dos cinco países nórdicos juntos. Eles incluem povos indígenas, migrantes de todo o Brasil e imigrantes do mundo inteiro. No entanto, Bolsonaro quer que você acredite que a Amazônia é uma selva indomada. Seus apelos por novas estradas, represas, minas e fazendas pintam uma falsa escolha - salvar os brasileiros, ou salvar a floresta tropical - que ignora o fato de que o Brasil tem desenvolvido agressivamente a Amazônia desde o início da Revolução Industrial.
Com o aquecimento do planeta nas próximas décadas, a Amazônia se tornará um berço de descobertas humanas ou uma cena de crime ecológico. A questão para o século XXI não é como extrair mais matéria-prima da floresta, mas como capacitar seus povos a viver de forma sustentável na floresta, da maneira que os indígenas brasileiros faziam antes que os europeus cometessem genocídio no continente.
III.
A Amazônia nunca foi uma terra "sem homens". Quando as flotilhas espanholas desceram pela primeira vez no rio no ano 1542, havia pelo menos oito milhões de pessoas que praticavam a agricultura em grande escala que aproveitava o ciclo natural do subir e descer das águas.
Armas e armaduras eram de pouca utilidade na floresta. À beira da fome, os espanhóis, portugueses e outros colonizadores dependeram dos povos indígenas para sobreviver, retribuindo essa generosidade com violência. Assim como na América do Norte, ondas de colonos trataram as tribos como subumanas, mesmo quando exigiam sua mão-de-obra e conhecimento.
A varíola exterminou cidades indígenas. Tribos que escaparam das doenças foram capturadas como escravas, muitas vezes realocadas para as capitais do sul do Brasil por "bandeirantes" impiedosos, cujas façanhas foram elevadas ao mito nacional. Outras tribos foram reassentadas em cidades governadas por clérigos ou administradores brancos que os obrigavam a usar roupas, adotar o cristianismo e se casar com seus colonizadores.
Algumas tribos fugiram rio acima, apenas para serem capturadas gerações depois, durante o boom da borracha. O Ministério das Relações Exteriores britânico enviou um inspetor, Sir Roger Casement, que havia investigado a brutalidade do rei Leopoldo II no rio Congo, para relatar acusações de abuso trabalhista. Depois de testemunhar um sistema de cotas de borracha que dependia de amputação progressiva, tortura e estupro para estimular a produção, Sir Roger usou um novo termo, "crimes contra a humanidade".
O colapso da indústria da borracha brasileira - depois que um inglês contrabandeou mudas de borracha para a Europa em 1876 - desacelerou as atrocidades, mas não por muito tempo.
Na primeira metade do século XX, o Brasil construiu estradas, linhas telegráficas, portos e pistas de pouso para integrar a floresta tropical ao resto do país, abrindo caminho para "Ordem e Progresso". Pioneiros como Cândido Rondon e os irmãos Villas Bôas lutaram para proteger os indígenas, mas o Serviço Nacional de Proteção aos Índios do Brasil foi eventualmente corrompido por burocratas e especuladores.
Na década de 1960, à medida que pistas de pouso foram construídas na Amazônia, alguns exploradores erradicaram tribos usando táticas de guerra, atraindo-as para clareiras - jogando açúcar e outros presentes - e depois bombardeando-as com dinamite. Os corpos foram enterrados ao longo do rio enquanto grileiros abriam caminho para o interior.
Sempre que essas histórias de pestilência e matança são abafadas, as histórias de resistência indígena são apagadas. Os brasileiros glorificam a lenda do cacique Manau Ajuricaba, que preferiu a morte à escravidão, mas a morte não pode ser o único caminho para a liberdade indígena no imaginário brasileiro.
Nas décadas de 1960 e 1970, tribos se organizaram para preservar suas terras e patrimônio com o apoio de ativistas e do clero do Movimento de Teologia da Libertação. Na década de 1980, quando as hidrelétricas ameaçaram o rio Xingu, uma indígena, Tuira Kayapó, encostou seu facão no rosto de um engenheiro hidrelétrico, advertindo que a empresa fosse posta para fora do terreno.
Os direitos indígenas foram garantidos na Constituição brasileira de 1988 e a Amazônia foi consagrada como patrimônio nacional. Mas as violações persistiram. Na década de 1990, líderes como o Xamã Yanomami Davi Kopenawa viajavam pelo mundo para soar o alarme sobre mineiros atrozes invadindo o território de seu povo. Seus piores temores se concretizaram em 1993, quando uma tribo Yanomami - incluindo crianças e idosos - foi massacrada por um bando de garimpeiros de ouro. Os assassinos foram condenados por tentativa de genocídio.
O fato de quase um milhão de indígenas brasileiros terem sobrevivido na Amazônia é uma prova de sua resiliência - e da vastidão da floresta. Hoje, as tribos combinam a engenhosidade tradicional com a tecnologia moderna para defender suas terras, compartilhar suas histórias e ajudar grupos isolados a evitar a exploração e o derramamento de sangue que se abateu sobre seus ancestrais. Até o Capitão Motosserra notou: "Os índios estão evoluindo", Bolsonaro disse em janeiro. "Cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós".
IV.
Brasileiros de direita e esquerda se arrepiam com a noção de que administraram mal a maioria de seu território enquanto negligenciam milhões de pessoas que vivem lá. Quando os incêndios do ano passado atraíram a ira de líderes e investidores internacionais, Bolsonaro disse a um grupo de repórteres europeus: "A Amazônia é nossa, não sua", ecoando uma suspeita de longa data no Brasil de que os estrangeiros estão de olho na Amazônia.
Muitos referenciam o modo como os Estados Unidos trataram seus povos indígenas e florestas como evidência de que os estrangeiros devem ficar calados. "Que não venha nenhum gringo pedir pra gente deixar um amazonense morrer de fome embaixo de uma árvore", disse o ex-presidente brasileiro e fundador do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, na Cúpula da Amazônia de 2009.
Como cidadão brasileiro e americano que testemunhou os fracassos sociais, ambientais e econômicos de ambos os países, vejo a Amazônia dos dois pontos de vista. A pressão internacional muitas vezes forçou os líderes do Brasil a viver de acordo com os ideais de sua Constituição. A Amazônia é vital para a regulação do carbono na Terra e o abastecimento de água doce, e é lar de pelo menos 10 por cento de sua biodiversidade. Todos no planeta dependemos de sua saúde.
Mas isso não significa que a Amazônia seja de todos. Shows beneficentes de celebridades e desenhos animados dedicados a salvar a floresta tropical reforçaram inadvertidamente as atitudes colonialistas em relação à Amazônia. Enquanto esses esforços sacudiam a consciência do mundo, eles tendiam a agrupar a flora e a fauna com as pessoas, retratando as comunidades indígenas como espécies de um passado distante que precisavam ser protegidas, ao invés de seres humanos contemporâneos com ambições para o futuro.
Capitalistas e ambientalistas podem até querer refutar, mas o futuro já chegou à floresta tropical brasileira, e se parece muito com o passado: caótico, injusto e insustentável.
Em cidades como Manaus, as elites se deleitam com as vistas do pôr-do-sol do rio em edifícios altos e comem sushi em shopping centers com ar-condicionado. Uma classe média em ascensão, composta principalmente de brasileiros não indígenas, participa de festivais de "food trucks", torneios de poker "Texas Hold Em" e cervejarias artesanais. Durante a Copa do Mundo da FIFA de 2014 e as Olimpíadas de 2016, assisti a multidões de fãs internacionais de futebol inundarem Ubers e AirBnbs.
Mas, embora os luxos tenham aumentado, serviços essenciais como transporte público, segurança e saúde são de baixa qualidade ou inexistentes. Prisões superlotadas rotineiramente sofrem frequentes e violentos motins enquanto funcionários do governo negociam com chefes do crime. Os moradores carecem de água, saneamento e eletricidade. Os bairros urbanos são dominados por traficantes de drogas e policiais desonestos, enquanto as tribos no interior são ameaçadas por mineiros ferozes, perfuradores e madeireiros. Eles deixam em seu rastro mercúrio, petróleo derramado, tocos de árvores, sobreviventes de violência e agressão sexual e patógenos como a gripe, que são tão novos lá quanto o coronavírus.
Durante a pandemia, milhares de pessoas morreram em suas casas na Amazônia por falta de capacidade hospitalar. Em sua resposta apressada, as equipes de ajuda do governo podem ter sido os próprios responsáveis pela disseminação do vírus enquanto se apressavam em fornecer testes e drogas não comprovadas, como a cloroquina, para as tribos vulneráveis.
V.
Os resultados caóticos desse desenvolvimento desleixado em lugar algum são tão visíveis como em Altamira, no Pará, nordeste do estado, onde a hidrelétrica de Belo Monte acionou suas primeiras turbinas em 2016 às margens do Rio Xingu.
A barragem era uma parceria público-privada, parte da tentativa amplamente admirável do presidente Lula de evocar uma nova história na Amazônia, uma de desenvolvimento verde sustentável, ecoturismo e inclusão indígena.
Ainda assim, quando a barragem foi anunciada, os líderes indígenas foram rápidos em se organizar contra ela, adiando o desenvolvimento por tempo suficiente para negociar concessões ambientais e econômicas do consórcio Norte Energia que supervisiona o projeto.
Na prática, essas avaliações de impacto eram insignificantes. E embora a Norte Energia diga que suas operações são baseadas nas melhores práticas no que diz respeito aos direitos humanos e responsabilidade ambiental, suas promessas de fornecer assistência financeira e habitacional para os moradores indígenas deixaram a região em desordem. Thaís Santi, procuradora federal, acusou a Norte Energia de "etnocídio" em 2015 por integrar grupos indígenas forçadamente à sociedade moderna muitas vezes colocando as gerações mais jovens contra os mais velhos.
Quando viajei para Altamira em abril de 2016, a cidade havia aumentado de 30.000 habitantes para mais de 100.000 em apenas alguns anos. Os professores abandonaram as aulas para trabalhar na barragem. Em uma comunidade acostumada a se locomover a pé ou de bicicleta, o hospital foi invadido por pedestres atropelados por carros. A margem do rio onde as crianças brincavam foi empurrada para um calçadão com uma pista de skate onde crianças sem skates sentavam-se à borda do halfpipe, olhando para suas antigas piscinas naturais.
Por toda a cidade, os outdoors da Norte Energia prometiam projetos de construção - parques, escolas e hospitais - com datas de conclusão indefinidas.
A nova Altamira orgulhava-se de sua reputação de "Cidade do Trabalho", mesmo que todos os seus serviços básicos, desde energia, transporte, parques e segurança pública, fossem terceirizados pelo consórcio. Famílias que passaram gerações vivendo à luz do fogo no Rio Xingu foram forçadas a se mudar para residências suburbanas conectadas à eletricidade da Norte Energia que elas não podiam pagar.
Um pescador com quem conversei lamentou não ter visto o rio há semanas, acrescentando: "Eu costumava acordar lá todas as manhãs".
VI.
Sem liderança local, transparência e forte supervisão, parcerias público-privadas como essas se tornam bestas de duas cabeças: a burocracia kafkiana trabalhando a serviço de negócios vorazes. Mas um plano realista para o futuro da Amazônia precisará inspirar tanto os industriais quanto os ambientalistas. É preciso reconhecer a Amazônia como vital para os bens comuns globais, mas também como um lar para milhões de brasileiros com direito à soberania e autodeterminação.
O mito da floresta tropical intocada perdurou porque é fácil para os consumidores imaginá-la assim. É mais fácil arrecadar fundos contra escavadeiras que derrubam florestas antigas do que apoiar fazendeiros itinerantes que queimam pastagens para criar seu gado magro. É mais fácil encomendar móveis certificados conforme código florestal do site da Amazon.com do que questionar como a madeira de lei da floresta amazônica foi parar na passarela da Brooklyn Bridge. É mais fácil condenar os frigoríficos industriais do que entender como a crescente classe média da China - e a guerra comercial dos EUA - demanda ração para carne bovina e soja da Amazônia. É mais fácil torcer por um Cacique com um cocar e um arco do que se unir em torno de líderes indígenas com mountain bikes, celulares e espingardas.
Erros de desenvolvimento - das cidades coloniais ao boom da borracha, da Transamazônica à Belo Monte - mostram como, apesar dos desafios de viver na floresta, ou talvez até por causa deles, este lugar deslumbrante inspira grandes sonhos. E grandes sonhos são exatamente o que a Amazônia precisa.
Uma lição de 2020 é que, em momentos de crise, ideias politicamente impossíveis podem se tornar possíveis da noite para o dia. A Covid-19 impulsionou a telemedicina, o ensino à distância e levou a ideia de renda básica universal da marginalidade ao conhecimento convencional. O apoio global ao movimento Black Lives Matter despertou milhões de pessoas para ver a história - e o futuro - sob uma nova luz. Incêndios florestais apocalípticos na costa oeste dos Estados Unidos estão queimando em conjunto com incêndios agrícolas na Amazônia, mostrando como nosso futuro climático está entrelaçado.
Resolver problemas antigos exigirá fazer novas indagações. Como drones e veículos autônomos poderiam beneficiar o transporte na Amazônia? Como as constelações de satélites podem conectar aldeias remotas para melhorar a educação e assistência médica? Como cidades como Manaus, Santarém e Belém poderiam se tornar líderes internacionais em biotecnologia?
Primeiro, o governo Bolsonaro deve reconhecer que a Amazônia está se urbanizando tão rapidamente quanto qualquer região do mundo. Ao invés de incentivar os empresários a mergulhar mais fundo na floresta, deve investir para garantir que as cidades existentes tenham segurança, saúde e educação. Conceder contratos para a construção de mais escolas, centros de tratamento de água e hospitais e não estradas e prisões privadas.
Em segundo lugar, reduzir a escalada da guerra contra as drogas e voltar a focar na corrupção nos corredores dos governos estaduais e locais. O tráfico é um problema, mas a questão mais preocupante é que os traficantes proporcionam às comunidades uma sensação de segurança e coesão que elas não obtêm do estado.
Terceiro, embora as exportações agrícolas do Brasil estejam em alta, os fazendeiros dependem excessivamente de fertilizantes e pesticidas, da demolição de novas terras e de práticas abusivas de trabalho semelhantes à escravidão. Em vez de pedir aos agricultores que desmatem novas pastagens, ajudar agricultores a criarem rebanhos mais saudáveis nas terras existentes.
Por último, um suposto presidente da lei e da ordem como Bolsonaro deveria redobrar - e não enfraquecer - as agências que fazem cumprir as leis ambientais e os direitos indígenas. Restaurar financiamento para as agências de proteção ambiental e indígena do Brasil. Elaborar novos acordos de biotecnologia que garantam que as espécies sejam coletadas, estudadas e analisadas no Brasil pelos brasileiros para que a bioprospecção do futuro não seja tão exploradora como a extração ilegal de madeira e a mineração de ouro de hoje.
Os conselhos indígenas devem desempenhar um papel de liderança ao decidir quais terras e conhecimentos são sagrados, o quê pode ser compartilhado com o mundo e a melhor forma de reaver uma parte justa das compensações. Com os recursos certos, eles poderiam ser exemplo de administradores da terra, reduzindo o risco de incêndio, organizando equipes de aplicação da lei para defender suas fronteiras e ensinando ao mundo o respeito por uma floresta que estrangeiros geralmente observam por meio de satélites.
Claro, tudo isso, supondo que Jair Bolsonaro está governando racionalmente, para o bem de todos os brasileiros. Mas a pandemia de coronavírus deixou claro que, assim como sua contraparte nos Estados Unidos, Bolsonaro tem os olhos no passado, não no futuro, e não tem temperamento nem autoridade moral para liderar um tour pelo palácio presidencial, muito menos uma democracia multirracial. Até os militares que Bolsonaro tanto admira ficariam envergonhados de sua falta de estratégia na região mais vital do Brasil.
As pesquisas mostram que os brasileiros valorizam a floresta tropical e entendem a ameaça da crise climática. Se o Capitão Motosserra continuar a cortar a Amazônia, a próxima geração de líderes brasileiros vai cortar seu governo.
O Amazonas não é um rio plácido, mas um redemoinho das preocupações mais urgentes de nossa era: mudanças climáticas, saúde pública e justiça econômica e ambiental. Não é um atraso e seus povos não são atrasados. Na verdade, eles estão vivendo as versões mais extremas dos problemas mais urgentes do nosso planeta, lutando por suas vidas - e pelas vidas de seus filhos.
*Chris Feliciano Arnold é o autor de "The Third Bank of the River: Power and Survival in the Twenty-First Century Amazon." Traduzido por Ana Beatriz Bersano.
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