OESP, Economia, p. B16
19 de Abr de 2008
Furnas disputará Jirau, diz Conde
Segundo ele, estatal formará com a Odebrecht o mesmo consórcio que ganhou o leilão da usina de Santo Antônio
Kelly Lima
O presidente de Furnas Centrais Elétricas, Luiz Paulo Conde, revelou ontem que a estatal disputará o leilão da usina de Jirau, no Complexo do Rio Madeira, em conjunto com a Odebrecht, "jogando o preço lá embaixo". Holding das estatais do setor elétrico, a Eletrobrás também participará do leilão, em 12 de maio, em outro consórcio.
Segundo mudanças recentes determinadas para o setor, essa deverá ser a última participação de Furnas de forma independente numa licitação de grande porte.
"Não vejo o menor sentido nas usinas terem lucro de 17%. Na Espanha, por exemplo, o lucro é entre 4% e 5%. Aqui no Brasil, quando a gente coloca o preço muito baixo, todo mundo quer saber o que houve e ainda estranha. Não dá para entender", disse.
A mesma formação de consórcio, com Furnas e Odebrecht, venceu o primeiro leilão de energia do Rio Madeira, para a construção da usina de Santo Antônio.
O presidente de Furnas disse também que a empresa já recorreu da decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), determinando a substituição de 4 mil funcionários terceirizados por concursados. Segundo ele, a empresa estima que precisaria de ao menos seis anos para fazer uma "transição razoável".
"Esperávamos que num prazo como esse poderíamos substituir os funcionários sem traumas, mesmo porque, se tivermos de demitir todos de uma vez só hoje, paramos a operação no País", disse Conde.
NUCLEAR
O diretor de Operação de Sistema e Comercialização de Furnas Centrais Elétricas, Fábio Resende, informou que é de interesse da empresa deixar para a Eletronuclear a comercialização da energia nuclear no País. Isso porque, segundo ele, Furnas compra hoje a energia nuclear por R$ 120 por megawatt por hora (MW/h) e é obrigada a vender por R$ 70 MW/h, já que o preço foi estabelecido em leilão no passado. "Essa diferença representa uma perda de centenas de milhões de reais para Furnas", disse Resende.
Segundo o executivo, haverá também a necessidade de discutir uma tarifa que remunere a construção de Angra 3, sem que, para isso, ela deixe de ser competitiva com as térmicas a gás.
OESP, 19/04/2008, Economia, p. B16
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