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Fundos ''verdes'' crescem mais nos países emergentes

OESP, Economia, p. B14
27 de Mai de 2009

Fundos ''verdes'' crescem mais nos países emergentes
No Brasil, produtos com esse perfil acumulam patrimônio de R$ 1,1 bi

Andrea Vialli

Os chamados fundos de ''investimentos sustentáveis'' , que privilegiam papéis de empresas com boas práticas socioambientais e de governança corporativa, crescem mais nos países emergentes do que no resto do mundo. O patrimônio administrado em fundos com esse perfil cresceu 400% entre 2003 e 2008 e chegou a US$ 50 bilhões no ano passado. Nos países desenvolvidos, essa indústria cresceu 70% no período.

Esse patrimônio pode ser ainda maior, de US$ 300 bilhões, se forem considerados os fundos tradicionais que analisam as variáveis sociais, ambientais e de governança corporativa na escolha dos investimentos. É o que mostra um estudo do International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial.

Foram pesquisados 515 gestores de ações em todo o mundo, sendo que 177 deles estão localizados no Brasil, China, Índia e Coreia do Sul.

Quase a metade (46%) das gestoras de recursos nesses países possuem políticas de análise socioambiental dos investimentos - embora apenas 7% dos fundos sejam classificados como 'sustentáveis'.

"Esse crescimento é fruto de uma visão mais abrangente de sustentabilidade, pois considera investimentos de longo prazo e em companhias mais sólidas, com padrões de governança", diz Mário Fleck, presidente da Rio Bravo, gestora de recursos mencionada no estudo.

No Brasil, a indústria de fundos sustentáveis tomou corpo em 2005, com a criação do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa. Chegou a movimentar R$ 2 bilhões no início de 2008, antes do agravamento da crise financeira, que provocou perdas na bolsa de valores. Hoje, 12 fundos com esse perfil administram um patrimônio de R$ 1,1 bilhão.

"Os fundos sustentáveis registraram perdas com a crise. Mas o cenário agora é de recuperação", diz Pedro Villani, gestor dos fundos Ethical, do Banco Real, que contam com patrimônio de R$ 500 milhões.

O HSBC, que possui um fundo que replica a carteira do ISE, deve lançar, no segundo semestre, um novo produto com esse perfil. "Como a carteira do ISE concentra bancos e empresas de energia, a atratividade do fundo tem ficado aquém do esperado", diz Eduardo Favrin, diretor de renda variável do HSBC Asset Management. "A ideia é lançar um produto que preserve a matriz de governança e sustentabilidade, mas mais abrangente em setores."

OESP, 27/05/2009, Economia, p. B14

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