OESP, Metrópole, p. A18
24 de Set de 2014
Fundo Verde do Clima terá US$ 200 bi até 2015
Especialistas veem avanços, mas ainda há um longo caminho até fechar acordo para COP de Paris; responsabilidades travam discussões
Fábio de Castro
Durante a Cúpula do Clima, realizada ontem na sede da ONU, em Nova York, governos e instituições financeiras anunciaram que mobilizarão US$ 200 bilhões até o fim de 2015 para o Fundo Verde para o Clima, criado para incentivar programas de baixa emissão de carbono dos países em desenvolvimento.
"É um passo importante para catalisar um acordo em 2015. Mas não basta se comprometer a financiar, apenas. É como dar esmola: você desembolsa um valor para poder dar as costas ao problema real. Seria mais importante estabelecer políticas reais de sustentabilidade", afirma o coordenador do Núcleo de Apoio a Pesquisa em Mudanças Climáticas da USP, Tercio Ambrizzi.
Durante o encontro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou uma ordem executiva com o objetivo de reduzir as emissões de carbono e combater as alterações climáticas. Ela exige que as agências federais incorporem a "resiliência climática" em seus planos de ação no exterior. Além disso, convida as entidades privadas dos Estados Unidos a ajudar as nações mais pobres a resolver seus problemas de emissões: "Ninguém pode ficar de fora, nem países desenvolvidos nem países em desenvolvimento", disse Obama.
Um dos maiores entraves aos avanços nas discussões climáticas, segundo Ambrizzi, é o embate em relação às responsabilidades. "Não podemos ficar eternamente discutindo se os países desenvolvidos devem assumir mais responsabilidades por serem historicamente os maiores poluidores. É preciso inovar nos métodos e pensar em algo como um mecanismo de desenvolvimento limpo global."
Na opinião do especialista, a Cúpula do Clima não pode ser considerada um fracasso, mesmo com a participação pouco comprometida de alguns dos principais países envolvidos com as mudanças climáticas (como Brasil, Estados Unidos, China e Índia).
O evento, que reuniu mais de 120 chefes de Estado, foi convocado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para subsidiar a 21.ª Conferência do Clima (COP-21), em Paris, na França, em janeiro de 2015, onde será definido o novo acordo do clima, que substituirá o Protocolo de Kyoto.
De acordo com Ambrizzi, a realização do encontro em Nova York pode trazer impactos positivos para a COP-21 que acontecerá em 2015 em Paris. "Embora nenhum dos principais países tenha se comprometido com metas e projetos concretos, a participação da maior parte dos governos e de empresas mostrou que há uma disposição muito maior que anos atrás para discutir os temas. Tudo indica que a reunião de Paris ao menos não será tão desastrosa como a de Copenhague (na Dinamarca, em 2009)."
Leonardo DiCaprio concentra as atenções
A abertura da Cúpula do Clima foi feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Também discursaram o ex-vice-presidente dos EUA e militante de causas climáticas, Al Gore, e o ator Leonardo DiCaprio, que concentrou atenções. "Agora pode ser nosso momento para ação", afirmou DiCaprio em rápida fala, bastante aplaudida.
Países prometem usar fontes limpas de energia
Vários países prometeram usar fontes limpas de energia. O México determinou que em 2018 um terço da capacidade de geração de eletricidade vai ter base em matrizes renováveis. No mesmo prazo, a Costa Rica terá 100% de energia limpa. A Nicarágua suprirá 90% das necessidades energéticas com matrizes renováveis até 2020.
União Europeia cortará emissões em até 95%
A União Europeia determinou corte de emissões entre 80% e 95% até 2050. O grupo econômico ainda vai fornecer 14 bilhões de euros como financiamento climático público para parceiros fora da União Europeia nos próximos sete anos. Só a Noruega dará 500 milhões de euros por ano para combater as mudanças climáticas.
Nações pobres também anunciam medidas
Nem os considerados "países pobres" ficaram fora da divulgação de metas. A Etiópia terá emissões líquidas iguais a zero em 2025. Já Bangladesh levantou US$ 385 milhões de recursos próprios para adaptação às mudanças climáticas. E a Malásia anunciou às Nações Unidas o objetivo de reduzir emissões em 40% até 2020.
Coreia do Sul terá comércio de carbono
As preocupações ambientais também se mostraram crescentes entre vários países asiáticos presentes na cúpula. A Coreia do Sul prometeu 100 milhões de euros para o Fundo Verde para o Clima. Já no próximo ano, a nação se transformará no primeiro país asiático a possuir um sistema de comércio de carbono.
EUA e China dizem que têm obrigação de liderar
O presidente americano, Barack Obama, afirmou que ele e o vice primeiro-ministro chinês, Zhang Gaoli, concordaram que os dois países com os maiores índices de emissão "têm a responsabilidade de liderar". A China afirmou que vai dobrar o financiamento anual para um fundo de mudanças climáticas.
OESP, 24/09/2014, Metrópole, p. A18
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