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Fundo vai ajudar países pobres

CB, Mundo, p. 24
12 de Dez de 2007

Fundo vai ajudar países pobres
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas decide criar reserva de US$ 45 milhões para capacitar nações a se adaptarem ao fenômeno. Especialistas criticam valor e vêem fracasso na reunião

Da Redação

Secas, inundações, invernos rigorosos, falta de alimentos. São apenas algumas das conseqüências que os países vão sofrer em breve, caso o aquecimento global não seja controlado. A face mais perversa desse processo é que as nações pobres - as menos responsáveis pelas mudanças climáticas - serão as primeiras a sentirem o violento impacto do efeito estufa.
Para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem aos efeitos do aquecimento global, as delegações presentes na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Bali (Indonésia), aprovaram o Fundo de Adaptação.
Previsto no Protocolo de Kyoto, o fundo será financiado por uma contribuição de 2% do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite aos países desenvolvidos comprarem certificados de redução de emissões em projetos de nações em desenvolvimento, como forma de cumprir seus compromissos.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo de Adaptação conta com US$ 45 milhões, mas deve atingir a cifra dos US$ 500 milhões até 2012. Ele será administrado por um conselho de administração do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e terá dois representantes de cada um dos cinco continentes e dois representantes dos países desenvolvidos.
Para o professor José Goldenberg, ex-ministro de Ciência e Tecnologia, o valor previsto para auxiliar os países pobres é insuficiente. "A aprovação do Fundo de Adaptação foi a primeira medida concreta tomada pela conferência de Bali, mas 2% do MDL é muito pouco para proteger as nações mais vulneráveis", declarou ao Correio. Para Goldenberg, mais importante que "tentar conter as conseqüências do aquecimento global é aprovar medidas eficazes de mitigação do efeito estufa", como metas diferenciadas de redução de gases para todos os países.
Compromissos
O especialista em política ambiental internacional Eduardo Viola, professor da Universidade de Brasília, defende compromissos mais ambiciosos e diz que o Brasil, como grande emissor, deveria ser protagonista na exigência de que "todos os países ricos e médios adotem metas de redução das emissões". Viola celebrou a aprovação do Fundo de Adaptação, mas ressaltou que a medida é insuficiente. "É justo que as nações pobres, que mais sofrem, recebam auxílio para conter esses efeitos, mas diante da gravidade do problema o fundo não é suficiente", declarou.
Para Viola, a conferência de Bali não vai produzir frutos, pois sua estrutura dificulta o consenso, e as maiores nações poluentes não querem fazer concessões.
"Além disso, o mundo só verá negociações promissoras quando George W. Bush deixar a Presidência dos EUA", acrescentou.

Parabéns para Kyoto

A conferência do clima realizada em Bali celebrou ontem, com pouco entusiasmo, o aniversário de 10 anos do Protocolo de Kyoto, pacto selado com o objetivo de diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Ichiro Kamoshita, ministro japonês do Meio Ambiente (foto), cortou um bolo de três camadas com cerca de 1,8m de altura e decorado com 10 velas, modelos de turbinas eólicas, palmeiras e cabanas balinesas. Os delegados presentes aplaudiram e cantaram Parabéns para você, em inglês. Vários países desenvolvidos, entre eles o próprio Japão, estão acima das metas fixadas em 11 de dezembro de 1997 em Kyoto para a emissão de gases estufa. O protocolo obriga 36 países industrializados a cortarem, entre 2008 e 2012, suas emissões para um patamar em média 5% menor que o verificado em 1990. Em Bali, as delegações discutem estratégias para combater as mudanças climáticas depois de 2012.

CB, 12/12/2007, Mundo, p. 24

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