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Fundo do mar do Rio oculta criaturas novas e bizarras

O Globo, Ciência e Vida, p. 45
11 de mai de 2006

Fundo do mar do Rio oculta criaturas novas e bizarras

Ana Lucia Azevedo

O fundo do mar do Estado do Rio abriga um paraíso para a vida selvagem que leva o conceito de originalidade ao extremo. A água é gelada, a temperatura oscila em torno de 2 graus Celsius. A escuridão, completa. Mas há animais, uma imensidão deles, muitos novos para a ciência. Prova disso é a descoberta de espécies desconhecidas de algumas das criaturas mais estranhas dos oceanos: as esponjas, animais que mais parecem plantas e são vistas como usinas de substâncias com potencial para a indústria química e farmacêutica.
As descobertas aconteceram a cerca de 1.600 metros de profundidade na Bacia de Campos, que ocupa cem mil quilômetros quadrados e se estende do Espírito Santo a Cabo Frio. A bacia que abriga a maior reserva de petróleo da plataforma continental brasileira também começa a se revelar uma fonte de biodiversidade marinha.
Pelo menos dez novas espécies de esponjas foram descobertas lá por pesquisadores do Museu Nacional que trabalharam em colaboração com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). O trabalho faz parte de um projeto mais amplo, chamado "Caracterização de corais de águas profundas da Bacia de Campos", coordenado pelo Cenpes.
As esponjas foram coletadas por redes, mas os cientistas acreditam que o trabalho com o ROV (uma espécie de robô submarino) trará ainda mais descobertas.
- São animais surpreendentes. Alguns parecem bolas de futebol maciças. Vivem em associação com bactérias que lhes fornecem nutrientes. Certas espécies formam bancadas submarinas, como os corais, ou associadas a eles. É um mundo novo a conhecer - diz o biólogo Eduardo Hajdu, do Laboratório de Poríferas (designação científica das esponjas) do Museu Nacional.
Estudos sobre as descobertas foram apresentados esta semana no 7 Simpósio Internacional de Esponjas, organizado pelo Museu Nacional/UFRJ, em Búzios, que reúne os maiores especialistas do mundo em esponjas. Hajdu afirma que os estudos em águas profundas na Bacia de Campos revolucionarão o conhecimento sobre a fauna marinha no Brasil.
As espécies identificadas até agora são brancas, mas Hajdu diz que as águas profundas abrigam animais multicoloridos. As formas, em geral, são inusitadas. Uma espécie apelidada pelos pesquisadores como touquinha-da -vovó é como um tecido de crochê. Algumas esponjas medem milímetros, outras chegam a um metro.
- O estudo está no início. Sequer conhecemos a constituição dessas esponjas. Esses animais produzem um arsenal químico para se defender que interessa muito à indústria - frisa o especialista.

O Globo, 11/05/2006, Ciência e Vida, p. 45

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