Diário de Natal
Autor: SÉRGIO VILAR
12 de Abr de 2007
O processo de reconhecimento de três comunidades indígenas do Rio Grande do Norte ganhou novo reforço. O grupo Paraupaba - formado por instituições com trabalhos voltados à questão indígena - voltou a se reunir após dois anos e conta agora com a colaboração da Fundação José Augusto. A intenção é retomar a discussão iniciada em 2005 e que resultou em uma audiência pública para discutir o assunto. Na oportunidade, foi formalizada a entrega de um documento às autoridades estaduais com a solicitação de reconhecimento das comunidades do Amarelão (João Câmara), Catu (Canguaretama) e Caboclos (Assu).
As comunidades vivem hoje em situação precária de educação, saúde, alimentação e moradia. Quem afirma é o professor de guarani da comunidade do Catu, José Aderildo. Mas o cenário é o mesmo nas outras duas comunidades, segundo pesquisadores. Com o reconhecimento, os índios poderão retomar terras que um dia foram suas e hoje são ocupadas por usinas, residências e comércios. No Catu, dos 700 índios (nem todos se auto-reconhecem) apenas três são formados, segundo Aderildo. A grande maioria vive da agricultura, da colheita de verduras.
O presidente da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, reconheceu a pouca participação da comunidade indígena na Fundação. Não vejo a presença da cultura indígena na Fundação como vejo a cultura negra. Realmente não tem espaço, mas queremos que tenha. Crispiniano comentou das dificuldades em promover projetos durante este primeiro semestre devido às dívidas da insituição, mas cobrou melhor articulação entre as entidades ligadas às comunidades indígenas para que no segundo semestre projetos possam ser entregues à Fundação.
O grupo Paraupaba ainda aguarda uma posição concreta das autoridades estaduais quanto ao documento entregue em 2005. A audiência pública daquele ano contou com a presença do presidente da Funai, Mércio Pereira, de representantes dos ministérios públicos estadual e federal, da Coordenadoria da Defesa das Minorias (Codem), Funasa e do gabinete do deputado estadual Fernando Mineiro. A retomada das reuniões sistemáticas do grupo - paralisadas em função de dificuldades em reunir todos os membros das instituições - servirá como orientação sobre qual fase se encontra esse processo de reconhecimento das comunidades indígenas.
Também será discutido pelo grupo a programação do Dia do Índio. O Museu Câmara Cascudo adiantou a programação a ser realizada entre 18 e 20 de abril, nos horário de 8h e 17h. Entre as atividades internas, uma exposição sob a temática de uma mercadoria típica da cultura indígena: Quem nunca comeu farinha? e também o lançamento e divulgação do livro O céu dos índios Tembé, premiado como melhor livro didático de 2000, com a conquista do prêmio literário Jabuti. A programação inclui ainda exibição de vídeos e oficinas.
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