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Fundacao Florestal em conflito com ex-funcionarios

JT, Cidade, p.A4
23 de Out de 2004

Fundação Florestal em conflito com ex-funcionários
Laura Diniz
Em centro mantido pela fundação há 10 macacos, 58 pássaros e 12 papagaios doentes. Ex-funcionários discordam dos atuais métodos de tratamentoUm ferimento pouco acima do supercílio de um filhote de macaco é motivo de dor de cabeça para os dirigentes da Fundação Florestal de São Paulo, responsável pelo Centro de Estudos e Manejo de Animais Silvestres (Cemas). O filhote de oito meses, que foi atacado por um cão e teve traumatismo craniano, é um dos 800 animais recolhidos no Cemas, que enfrenta desavenças administrativas. O centro fica na área do Parque Estadual Alberto Loefgren, antigo Horto Florestal, na Zona Norte da Capital.
De um lado, ex-funcionários, técnicos, estagiários e tratadores que não concordam com os atuais métodos de tratamento dos animais. De outro, a direção da fundação e a nova equipe contratada. No meio disso tudo, 10 macacos e 58 pássaros com diarréia, 12 papagaios com bactérias capazes de infectar o homem, além da morte de uma gaivota e de um corrupião.
O Cemas começou a funcionar no início de 2003 para cuidar de animais silvestres capturados pelo tráfico, apreendidos em cativeiro ou feridos, com o objetivo de reintegrá-los à natureza. No ano passado, foram recebidos 4.700 animais. O local tem 24 recintos e 46 gaiolas.
Os cerca de 1.500 m2 de área construída custaram quase R$ 1,3 milhão. Mas faltou ligar o esgoto com a rede da Sabesp. Há esgoto a céu aberto, perigo de contaminação de funcionários e de animais. Segundo a diretora-executiva da Fundação, Antonia Pereira de Avila Vio, "esqueceram disso". Ela disse que não fez a ligação porque seria difícil justificar ao Tribunal de Contas a reforma de um prédio recém-inaugurado.
O macaco ferido na cabeça chamava-se Caio enquanto o biólogo Paulo Martuscelli e a veterinária Renata Gaspar Vieira estavam à frente do Cemas. Hoje, a nova diretriz é não dar nomes aos animais. O bicho chegou ferido ao centro em 20 de setembro e ainda precisava de cuidados no dia 4 passado. Naquele dia, Renata havia sido demitida horas antes e ainda estava no local. "Não me deixaram operá-lo", conta.
A diretora-executiva da Fundação Florestal de São Paulo, Antonia Pereira de Avila Vio, afirmou que a decisão de demitir Martuscelli e Renata foi tomada após a conclusão de investigações da Polícia Militar Ambiental e do Ibama. "Eles são bons técnicos, mas davam assistência a criadouros e trabalhavam no Cemas. Havia um conflito de interesses." Ela disse que por conivência com esse "comportamento irregular", alguns estagiários serão desligados e outro biólogo será transferido.
Os profissionais demitidos negam a acusação. "Nós dois prestávamos consultoria para dois criadouros, mas eles nunca receberam bichos do Cemas", diz Martuscelli.

JT, 23/10/2004, p. A4

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