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Funasa ignora morte de pelo menos 11 índios no Amazonas

OESP, Nacional, p. A13
10 de mar de 2005

Funasa ignora morte de pelo menos 11 índios no Amazonas

Liege Albuquerque

Onze indígenas da etnia deni, na área do município de Itamarati (a 980 quilômetros de Manaus), entre eles cinco bebês, morreram entre março e abril do ano passado com sintomas como diarréia e vômito. Estas mortes não foram tão noticiadas, no resto do País, como o caso das crianças desnutridas em Mato Grosso. Segundo o diretor da Comissão Indigenista Missionária (Cimi) na região do Alto Solimões, Jean Pinheiro, embora a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em Manaus tenham sido notificadas, até hoje, um ano depois, não se sabe o que causou a morte dos indígenas.
O diretor da Funasa em Manaus, Sebastião Nunes, informou que vai investigar o assunto. "Infelizmente, o órgão está fazendo de 15% a 20% do que deveria para atender mais de 26 mil índios", disse ele, que assumiu há 4 meses. A verba da Funasa para o Amazonas, este ano, é de R$ 32 milhões. A Funai regional, fechada durante um mês por causa do afastamento do diretor, foi reaberta ontem.
Segundo Pinheiro, há apenas 300 pessoas da etnia deni. Em relatório enviado à Funai e à Funasa em abril, há detalhes com os nomes das crianças e adultos que morreram. Só em março de 2004, foram 4 bebês. "Desde a saída dos Médicos Sem Fronteiras da área, em 2001, a questão da saúde é muito precária", disse. "Há crianças desnutridas, há malária, há hepatites e ainda os que morrem de tuberculose."

OESP, 10/03/2005, Nacional, p. A13

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