VOLTAR

Funai ve motivo politica para morte de Apoena

OESP, Nacional, p.A7
13 de Out de 2004

Funai vê motivo político para morte de Apoena
Ministro da Justiça reúne-se hoje com presidente da instituição
José Ramos
Três dias depois da morte, em Porto Velho, do sertanista Apoena Meireles, tanto a polícia da cidade quanto a Polícia Federal, em Brasília, continuam em busca de pistas sobre o responsável – ou responsáveis – pelo crime. Enquanto ele era sepultado no Rio, ontem de manhã, em Brasília o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, marcava nova reunião para hoje com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes, para avaliar a situação e dar um rumo às investigações. Apoena, um dos mais importantes sertanistas brasileiros, levou dois tiros de um estranho quando tentava retirar dinheiro de um caixa eletrônico do Banco do Brasil na capital de Rondônia.
Em Porto Velho, o chefe do setor de Serviços e Capturas da Delegacia de Crimes contra a Vida, Reginaldo Fernandes, avisou que as fitas do assalto, retiradas da agência, já foram entregues à PF. Ele não confirmou uma versão de que elas teriam desaparecido, mas adiantou que a qualidade do filme não ajuda muito. Eu vi as fitas. As imagens são muito ruins, trêmulas, embaçadas. É difícil identificar a pessoa que fez os disparos. Mas estamos trabalhando. Até o fim da semana esperamos ter novidades.”
O diretor-geral de Polícia Civil de Rondônia, delegado Carlos Eduardo Ferreira, disse que a qualidade das imagens é ruim porque elas foram feitas apenas pela câmera instalada do lado de fora da agência. A câmera interna estava sem fita, segundo ele, por negligência”. A TV Globo mostrou no Jornal Nacional o depoimento de uma funcionária que acompanhava o sertanista – presumivelmente, Clenice Alves Mansur –, segundo a qual o tiro foi dado à queima-roupa. No que Apoena se aproximou, ele deu um tiro à queima-roupa no Apoena. Depois, quando me afastei, ouvi mais um tiro”, disse ela. A Globo mostrou ainda a instalação das microcâmeras externas, que tinham sido roubadas.
Encomenda – Na Funai, poucos colegas do sertanista acreditam que sua morte tenha sido simples latrocínio – apostam na tese de crime encomendado. Meireles estava em Rondônia coordenando os trabalhos de regulamentação de garimpo na reserva Roosevelt, da tribo Cinta-Larga. O presidente da Funai prefere esperar o avanço das investigações, mas se diz inconformado com a tese de roubo. Coincidência e acaso são difíceis de aceitar”, desabafou.
Segundo Mércio Gomes, a polícia tenta digitalizar a imagem obtida pelas câmaras externas da agência do BB. Com melhor definição das imagens será mais fácil tentar uma identificação. Entre os aspectos estranhos, lembrados pelo pessoal da Funai em Brasília, está o fato de o assaltante usar uma pistola automática, dando tiros certeiros no peito e no abdome de Meireles. Além disso, ele teria esperado um casal que usava o caixa eletrônico ir embora para atacar o sertanista.

Família diz que trabalho 'deve prosseguir'
Karine Rodrigues
Depoimentos emocionados de parentes e amigos atrasaram, em mais de uma hora, o enterro do sertanista e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), ontem no cemitério do Caju, no Rio. O corpo foi sepultado no jazigo da família, onde estão os restos mortais do pai de Apoena, o sertanista Francisco Meireles.
Durante a cerimônia, o irmão do sertanista, Francisco, e sua filha Tainá ressaltaram seu desejo de que o trabalho do pai tenha continuidade. "Ele não deixou uma família, deixou uma nação de índios. E também um exemplo de honestidade e dedicação, que deve prosseguir", disse Tainá. Apoena deixou mais dois filhos: Apoena, de 33, filho do primeiro casamento, e Susyna, de 5 anos, que teve com a atual mulher, Valéria. O ex-presidente da Funai trabalhava no setor de documentação da entidade.
Momentos antes do enterro, a capela onde estava o corpo do sertanista ficou lotada. Doze pessoas discursaram, entre elas o cacique xavante Sereburã, de 86 anos, A mãe de Apoena, Abigail Lopes, que tem 83, disse que não aceita a hipótese de roubo seguido de morte de seu filho. "Acho que foi uma morte encomendada", declarou. Já a irmã mais velha, Lídice, de 59, disse que ele vinha recebendo ameaças.
Apoena tinha 55 anos e morreu com dois tiros após sacar dinheiro de um caixa eletrônico de uma agência do Banco do Brasil em Porto Velho. O criminoso fugiu de bicicleta.

OESP, 13/10/2004, p. A7

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.