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Funai proíbe entrada de não-índios em reserva

Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: HUDSON CORRÊA
13 de Jul de 2004

A Funai (Fundação Nacional do Índio) e o MPF (Ministério Público Federal) decidiram nesta terça-feira proibir a entrada de não-índios na reserva indígena de Dourados (218 km de Campo Grande).
Na área de 3.600 hectares vivem cerca de 9.000 índios, entre guaranis, caiuás e terenas. São duas aldeias: a Jaguapiré e a Bororo.
No meio da reserva passa uma estrada estadual. Existem ao menos duas entradas principais e várias estradas vicinais, que dividem a terra em lotes.
Desde ontem, só podem entrar na reserva pessoas com autorização da Funai. O MPF informou que a medida apenas cumpre a legislação que impede a entrada de não-índios em terras indígenas.
A reserva está a pouco mais de 10 km da cidade, que é a segunda maior do Estado, com 153 mil habitantes. As aldeias têm escolas, posto de saúde, e os índios contam com atendimento no hospital localizado ao lado da reserva.

Suicídios
Na área, ocorrem casos de suicídios, assassinatos e estupros chamados "feiras". Esses últimos ocorrem quando um grupo de índios estupra uma índia, geralmente adolescente.
Com relação aos suicídios, em 2003 ocorreram 47 casos nas aldeias dos guaranis e caiuás. Em 2002, foram 57 casos. Neste ano, ao menos três se mataram na reserva indígena de Dourados. Crianças de nove, 11 e 12 anos estão entre as vítimas.
O principal problema da aldeia é o alcoolismo. Os índios se matam, geralmente, após beber. A Polícia Federal não consegue impedir a venda de bebidas alcoólicas para os índios. A comercialização é proibida por lei.
Na avaliação do MPF e da Funai, a violência nas aldeias é conseqüência da entrada de não-índios na reserva indígena.
As polícias Federal, Militar e Civil vão montar barreiras nas estradas de acesso à terra indígena. Não foi divulgado o número de policiais que participarão.
Segundo a PF, ao identificar as pessoas que estão entrando nas aldeias será possível apurar o envolvimento delas em crimes na reserva.

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