Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
Autor: ALINE CHAGAS
16 de Dez de 2005
Servidores do órgão relataram à Polícia Civil e ao Ministério Público que têm sofrido intimidação
A equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) que tenta fazer o contato com os índios "baixinhos", que vivem isolados na Terra Indígena do Rio Pardo, denunciou que tem sofrido ameaças desde a Operação Rio Pardo. As ameaças, segundo os funcionários, são direcionadas aos integrantes da Frente Etno-ambiental Madeirinha, unidade responsável por fazer contato com etnias isoladas. A situação já foi denunciada ao Ministério Público Federal e à Polícia Civil de Juína.
Segundo o coordenador da Frente Madeirinha, Edemar Treuherz, as ameaças ocorrem em forma de boatos na região de Colniza, dos quais a equipe toma conhecimento sempre que precisa passar pela área para chegar até a Terra Indígena do Rio Pardo. Estão atualmente na área dois funcionários efetivos da Funai e cinco prestadores de serviço, que atuam na Frente Madeirinha.
"São histórias de que existem pistoleiros nas porteiras de algumas fazendas. Falam para a equipe tomar cuidado. Estamos tendo muito cuidado, até porque não são todos os fazendeiros da região que fazem ameaças. Não queremos acusar injustamente", disse Edemar.
Edemar explicou que a área demarcada como Terra Indígena tem 160 mil hectares. O centro - "o miolo" - da área tem 55 mil hectares e é onde há o interesse dos grileiros e também onde estão os índios "baixinhos". Os hectares restantes eram parte de fazendas e é por isso que muitas vezes as equipes precisam passar por dentro dessas terras.
"O grande interesse está no miolo, que é uma terra devoluta da União. Por isso essas pessoas se sentem no direito de entrar. Para isso, afirmam que não há índios, que a presença dos índios é invenção nossa", comentou .
Conforme Edemar, os índios acabam sendo acuados por aqueles que querem mostrar que eles não existem, o que resulta no seu extermínio. Edemar revelou que o clima está tenso por parte dos interessados na terra. "Nós conseguimos notar só nos olhares que há algo de errado, que há ameaças", disse Edemar.
O coordenador da frente disse que não pode afirmar se os funcionários que estão na terra indígena estão em segurança. Os sete servidores estão na região para evitar que haja novas ocupações na área. A equipe continua tentando fazer contato com os índios para os estudos necessários sobre a etnia.
O delegado da Polícia Federal responsável por investigar as denúncias de grilagem e genocídio dos índios, Denis Cali, informou que não foi notificado sobre as denúncias de ameaças. Denis disse que uma equipe da PF retornará nas próximas semanas à área, para tentar cumprir os mandados de prisão em aberto e verificar se houve novas invasões.
A Operação Rio Pardo teve início no dia 29 de novembro. Desde então, 29 pessoas foram presas e foram cumpridos 90 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rondônia e Goiás. As investigações apuram a situação de um grupo indígena, ainda não identificado totalmente pela Funai por viverem isolados, mais conhecidos como "baixinhos". Segundo denúncia da Funai, a área em que os índios moram isolados - onde a entrada é restrita para qualquer pessoa senão os índios - vem sendo invadida há alguns anos por grileiros, fazendeiros e madeireiros.
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