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Fumaca na Floresta

JB, Opiniao, p.A14
20 de Abr de 2004

Fumaça na Floresta
A história da doação de mogno feita pela direção do Ibama à Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) é, no mínimo, esquisita. Um lote de 6 mil toras e mais 200 metros cúbicos de mogno serrado foram doados e vendidos por R$ 7,5 milhões. Houve denúncia de subfaturamento no preço.
Com a mão direita o Ibama reprime a extração ilegal de madeira na floresta amazônica, agindo na repressão aos crimes ambientais. Com a esquerda faz doação da madeira à Fase - uma das muitas ONGs que vêm abrindo e ampliando o espaço de ação internacional na floresta - e estimula a prática de crimes contra a natureza.
Funcionários do Ibama são autores da denúncia da generosidade feita por sua diretoria, à custa da destruição da floresta. Segundo eles, tudo não passa de artifício para ''esquentar a papelada'' que libera a madeira junto ao governo federal. Pediram investigação ao Tribunal de Contas da União. E a Consultoria Jurídica do Ministério do Meio Ambiente, igualmente contrária à generosidade da doação, deu parecer indicando a necessidade de licitação para a alienação da madeira.
Por trás de tanta fumaça de desconfiança deve haver fogo. O que representa ameaça à floresta e à lisura que é exigida aos atos do Ibama. O governo tem que ficar de olho. E agir.

JB, 20/04/2004, p. A14

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