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Frutos do mar estarão extintos em 50 anos

O Globo, Ciência e Vida, p. 26
03 de nov de 2006

Frutos do mar estarão extintos em 50 anos

Steve Connor

Os frutos do mar desaparecerão por completo dos menus de todo o mundo dentro de 50 anos se a pesca continuar sendo feita da forma predatória atual, de acordo com um dos maiores estudos já realizados sobre a vida marinha.

O alerta apocalíptico foi divulgado por um grupo internacional de ecologistas e economistas, que estudou detalhadamente dados disponíveis sobre a pesca desde 1950.0 estudo, publicado na "Science", revelou que a pesca comercial de diversas espécies já entrou em colapso, e que a total erradicação de todos os estoques pesqueiros deve ocorrer por volta de 2048.

- Salvo se mudarmos fundamentalmente a forma com que lidamos com o oceano, este século será o último em que teremos frutos do mar- afirmou Steve Palumbi, da Universidade de Stanford (EUA), um dos autores.

Os especialistas concluíram que 29% dos estoques pesqueiros do mundo já entraram em colapso e que os habitais mais vulneráveis são aqueles onde a pesca excessiva levou à extinção de algumas espécies, segundo Boris Worm, da Universidade de Dalhousie, em Halifax, no Canadá.

- Espécies vêm desaparecendo dos ecossistemas oceânicos e essa tendência se acelerou nos últimos tempos - afirmou Worm. - Dizer que 29% das espécies de frutos do mar entraram em colapso significa que sua captura caiu em 90%.

O estudo investigou registros históricos de 64 grandes regiões marinhas, que respondem por mais de 80% da produção mundial de frutos do mar. A biodiversidade surge como o mais importante fator individual para a sobrevivência de todo o ecossistema.

- Ao perdermos espécies, perdemos a produtividade e a estabilidade de todo o ecossistema - afirmou Worm.

A transformação do fundo do mar em deserto teria um tremendo impacto sobre o bem estar humano, aponta o estudo.

Milhões de pessoas dependem dos oceanos não apenas por conta dos alimentos, mas também em razão de outros bens e serviços, como controle de inundações, purificação de resíduos, embora esses benefício econômicos também estejam ameaçados.

O Globo, 03/11/2006, Ciência e Vida, p. 26

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