VOLTAR

Frota maior põe em risco controle da poluição

OESP, Vida, p. A20
05 de Jun de 2008

Frota maior põe em risco controle da poluição
SP teve 1,5 mil veículos novos por dia em março; qualidade do ar ficou inadequada 14 vezes no ano

Daniel Gonzales

O último mês de março bateu um recorde: foi o período de 30 dias em que mais veículos entraram na frota paulistana, em todos os anos. E o aumento exagerado da frota, para especialistas, já coloca em risco o controle da poluição do ar. De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), 48.751 carros, motos, caminhões e ônibus foram emplacados na capital em março - média de 1.572 novos veículos por dia.

Apesar de os veículos com menos de 20 anos, que emitem bem menos poluentes, representarem a grande maioria (79,4%) da frota total paulistana, eles já são tantos que os danos que causam ao ambiente acabam multiplicados a ponto de começar a ameaçar as conquistas tecnológicas da indústria automobilística, obrigada por lei a reduzir ao máximo as emissões de gases dos motores.

"Não tem nenhum carro que aspire poluição. E em marcha lenta, em meio aos congestionamentos, os veículos emitem mais gases", explica o patologista Paulo Saldiva, pesquisador do Laboratório de Poluição da USP e do Departamento de Saúde Ambiental da Universidade Harvard (EUA). "Estamos começando a voltar para trás, depois de alguns anos de melhora."

Em fevereiro, já tinham ido às ruas da capital 29.902 veículos. Entre fevereiro e março, o emplacamento dos 0 km cresceu 62,4%. Em abril, o ritmo de crescimento da frota foi um pouco menor: 35.935 veículos começaram a circular na cidade.

Mesmo assim, com as adições dos quatro primeiros meses deste ano, a frota da cidade de São Paulo saltou para pelo menos 6.103.642 veículos até o fim de abril. Como o período de janeiro a abril soma 121 dias, a média diária de emplacamentos, nos 4 primeiros meses do ano, foi de 945 veículos.

Com isso, além dos intermináveis congestionamentos - pesquisa da Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, mostra que entre 2004 e o ano passado os períodos de lentidão da manhã e do horário do almoço têm se prolongado, em média, 15% ao ano - a poluição registra ligeira tendência de aumento desde o ano passado. Isso reverteu quedas progressivas que vinham sendo observadas desde 2002.

Má qualidade do ar

No ano passado, houve 57 vezes em que o ar paulistano ficou com qualidade "inadequada" ou "má", em ao menos uma das 24 estações de monitoramento da companhia, na capital e Grande São Paulo. Em 2006, haviam sido 46 registros.

Neste ano, levantamento feito pelo com base nos boletins diários da Cetesb mostra que a qualidade do ar já atingiu os parâmetros "má" ou "inadequada" em 14 oportunidades, em uma ou mais estações, nos três primeiros meses do ano, mantendo a tendência de 2007.

O mês mais poluído deste ano - março, quando a qualidade do ar atingiu por sete vezes a marca "má" ou "inadequada" - coincide com o de maior expansão na frota paulistana.

OESP, 05/06/2008, Vida, p. A20

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.