OESP, Economia, p. B14
06 de Out de 2009
Frigoríficos firmam pacto ambiental
Com imagem abalada após denúncia do Greenpeace, frigoríficos se comprometem a não desmatar Amazônia
Tatiana Freitas
Executivos da JBS-Friboi, Bertin, Marfrig e Minerva - as quatro maiores empresas brasileiras de abate e processamento de carne e couro - assinaram ontem com a organização não-governamental Greenpeace um compromisso público de não aceitar gado de fornecedores envolvidos com o desmatamento da Amazônia. A reunião aconteceu na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
O discurso afinado entre frigoríficos e o Greenpeace aconteceu cerca de quatro meses depois de a ONG denunciar o setor no relatório "Farra do Boi na Amazônia". O relatório acusava a indústria da pecuária de ser o principal responsável pelo desmatamento no bioma amazônico. No mesmo dia da publicação do relatório, em junho, o Ministério Público entrou com ação pública contra a criação e compra de gado da região. As empresas, aos poucos, assumiram uma a uma o compromisso de boicotar a compra de carne de áreas devastadas e as grandes redes de varejo seguiram o mesmo caminho.
Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, estado com o maior rebanho do País, também participou do encontro. O político e produtor rural anunciou que a meta do estado é ter 100% das propriedades rurais cadastradas no programa de licenciamento ambiental no prazo de um ano.
Maggi defendeu que pecuaristas sejam compensados financeiramente pelas áreas do bioma amazônico que deixarão de ser desmatadas para tornar viável o fim da compra de matéria-prima de áreas desmatadas da Amazônia.
Segundo o governador, o Brasil vai propor na Conferência do Clima de Copenhague, em dezembro, que os produtores rurais sejam remunerados por não explorar os 20% de suas propriedades que fazem parte da região amazônica cujo desmatamento é autorizado pela legislação atual.
"Na última reunião do Fórum de Governadores da Amazônia com o presidente Lula e ministros, ficou decidido que essa reivindicação vai para Copenhague. O presidente ainda quer conversar com outros presidentes da Amazônia sul-americana para a apresentação de uma proposta conjunta, mas a posição do Brasil já está tomada", afirmou Maggi.
O governador do Mato Grosso insiste na contrapartida econômica: "Aquele que tem o direito de usar 20% de sua propriedade precisa ter a opção de transformar isso em atividade economia tradicional ou moderna, que é preservar o meio ambiente, mas receber por isso".
De acordo com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), das 26 milhões de cabeças que formam o rebanho do Estado do Mato Grosso, cerca de 10 milhões estariam em área de desmatamento ilegal.
O Mato Grosso, um dos líderes em desmatamento no País, vai fornecer aos frigoríficos um sistema de monitoramento por satélite para acompanhar a área utilizada para pecuária na Amazônia.
Segundo o governo federal, a pecuária ocupa 80% das áreas desmatadas na Amazônia. Os frigoríficos adotaram prazos para o cadastro das fazendas fornecedoras e o monitoramento do desmatamento ao longo da cadeia produtiva.
O Greenpeace deve ajudar na fiscalização, mas o acordo assinado ontem não implica em nenhum tipo de penalidade aos frigoríficos que não cumprirem o compromisso. O acordo prevê ainda que os frigoríficos rejeitem invasão de terras indígenas, trabalho escravo e grilagem, entre outros pontos.
O presidente da Marfrig, Marcos Molina, ressaltou que o pacto representa um passo importante para a cadeia produtiva na adoção de boas práticas de sustentabilidade, atendendo a consumidores estrangeiros e brasileiros.
Já o sócio-diretor da JBS-Friboi, José Batista Junior, destacou que ações conjuntas como esta fortalecem a posição de frigoríficos brasileiros no mercado externo.
"A adoção de medidas conjuntas demonstra a seriedade dos compromissos assumidos pelos frigoríficos e ajuda a evitar a duplicação de esforços, agilizando a adoção de critérios que levem ao fim do desmatamento na produção pecuária brasileira", disse Paulo Adário, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace.
Carne do Friboi, de porta em porta
Frigorífico vende carnes em vans
Chico Siqueira
Andradina (SP)
Maior empresa do mundo do setor de alimentos, o grupo JBS Friboi está voltando à época dos carros com alto-falantes para vender sua carne, de porta em porta, no interior de São Paulo. Em Andradina, os 60 mil moradores tinham se esquecido dos antigos carros de som que ofereciam, em alto volume, verduras e frutas, quando há cerca dois meses começaram a surgir as vans do JBS-Friboi anunciando a venda de vários cortes de carne bovina.
"Todos os dias neste mesmo horário, nesta mesma rua, passamos vendendo as melhores carnes em domicílio", anunciava ontem uma das cinco vans que circulam pela cidade. A motorista, que se identificou como Camila, disse que ao fim do dia entregaria entre 250 e 300 quilos de carne. "A pessoa pode comprar na hora ou encomendar pelo celular, mas é melhor pedir de manhã, porque de tarde já não tem mais."
Uma das compradoras, a dona de casa Maria Jorge Bastos, 57 anos, comprou sete quilos de três cortes para fazer o churrasco de seu aniversário. "Vale à pena, a gente recebe a carne em casa. Se eu fosse correr atrás nos açougues ia demorar muito e minha organização da festa ficaria atrasada", diz. As carnes vendidas nas vans são de bois abatidos na unidade do Friboi em Andradina ou da marca Maturatta, própria para churrasco.
Um funcionário do Friboi disse que a intenção é colocar 10 mil vans em todo o País para entregar e vender carnes de porta em porta. Até agora, segundo o mesmo funcionário, existem 250 vans circulando por algumas cidades do interior de São Paulo, como parte de um projeto piloto.
A assessoria do JBS-Friboi foi contatada, mas não deu retorno até o fechamento da edição.
OESP, 06/10/2009, Economia, p. B14
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