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Fotógrafa registra 'almas' de índios em exposição

dgabc.com.br
17 de out de 2017

Quem olha uma foto, muitas vezes, não imagina a história por trás da imagem. Maristela Giassi precisou de dez anos para registrar o pajé Wherá Tupã, índio Guarani de 108 anos da Aldeia do Amaral, em Santa Catarina. "Queria me preparar. Clicar é fácil, agora se pretende colocar um pouco de si e bastante do fotografado, aí é outra coisa", conta.

Maristela se emocionou quando conseguiu. "O pajé pediu para ser dentro da opy (casa de reza). Quando cheguei, tinha pouca luz. Pensei: 'Esperei tanto e agora está escuro'", lembra. Ela aproveitou a chance e trabalhou com uma fogueira. "Tive meia hora com ele, em silêncio. Os índios pouco falam, nossa comunicação é mais espiritual mesmo".

A foto do pajé se juntará a outras 15 feitas - também nas aldeias M'Biguaçu, Morro dos Cavalos, Rio Jordão e Novo Segredo - na exposição Almas do Brasil, em cartaz a partir de quinta-feira até dia 3 na Inn Gallery (Rua Dr. Melo Alves, 138), em São Paulo. A mostra, com entrada gratuita - que tem apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet -, já passou pela França, Itália e Portugal. "Os índios acabam sendo até mais valorizados no Exterior. Muita gente chorou de emoção diante das imagens e me procurou para saber mais sobre aquelas pessoas."

O contato com seus fotografados rendeu tantas histórias que Maristela resolveu juntá-las a mais imagens em um livro. Lá também está registro feito com a cacique Eunice Antunes. Formada em Pedagogia, é uma das poucas mulheres a exercer liderança da comunidade indígena no Brasil. "Tentei contar um pouco sobre costumes, crenças e valores. Senti mais do que consigo explicar", finaliza a fotógrafa, que convida as pessoas a verem as imagens frente a frente.

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