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Fórum Social: perfil elitista

JB, País, p. A5
09 de Jan de 2004

Fórum Social: perfil elitista
Ibase faz pesquisa entre participantes da última edição

Luísa Gockel
Especial para o JB

O Instituo Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) divulgou ontem uma pesquisa inédita sobre as características dos participantes do Fórum Social Mundial 2003, realizado em janeiro, em Porto Alegre. Mais de 85% dos 1.500 entrevistados eram brasileiros e quase 70% se disseram de esquerda. A maior surpresa apareceu no quesito filiação partidária: 62% não tinham nenhuma relação com partidos políticos.
- O pequeno número de filiados a partidos políticos surpreendeu. O que vimos eram jovens, de esquerda, em busca de algumas respostas e com um enorme descrédito nas instituições do Estado - observa o diretor do Ibase, Cândido Grzybowski, que também destaca os campeões de desconfiança entre as instituições internacionais: O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
Para o diretor do Ibase, a grande surpresa da falta de crédito nas instituições do Estado, como a Justiça - com a confiança de apenas 15% dos entrevistados - e a polícia - 8% -, se deve também ao período em que a pesquisa foi realizada, logo depois da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Em janeiro do ano passado, o povo estava em plena lua-de-mel com o presidente recém-empossado. Parece que o Lula se elegeu, mas não ajudou a recuperar a imagem das instituições - observa.
A amostra, segundo Grzybowski, não representa necessariamente as idéias da sociedade brasileira. Para ele, é o retrato de uma elite da sociedade civil com nível de escolaridade alto - 27,5% têm superior completo - e engajada socialmente - 65% participam de alguma organização civil, como sindicatos ou ONGs. Além disso, apesar do equilíbrio do número de homens e mulheres no total de participantes, entre os delegados, ou seja, ocupando posição de destaque, a grande maioria é de mulheres.
- Não vimos a cara da sociedade brasileira no encontro de Porto Alegre. Neste sentido, o próximo Fórum Social Mundial, em Mumbai, será mais global - acredita Grzybowski, atribuíndo a mudança do perfil dos participantes ao fato de ser realizado na Índia, que possui movimentos sociais tradicionais.
A estimativa do Ibase é de que o número de brasileiros não passe de 500. Apesar disso, para Grzybowski, a próxima edição ''vai ganhar em globalidade'' com a participação em peso dos asiáticos.

JB, 09/01/2004, País, p. A5

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