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Fórum de Educação Escolar Indígena mostra a necessidade da implantação do Ensino Médio nas aldeias em Rondônia

Diário da Amazônia - www.diariodaamazonia.com.br
13 de Nov de 2008

O Núcleo de Educação Escolar Indígena de Rondônia (Neiro) promoveu ontem o IV Fórum de Educação Escolar Indígena do Estado de Rondônia, realizado no Espaço Paulo Freire, no campus da Unir, em Porto Velho. O fórum foi marcado por questionamentos relacionados à capacitação de professores e expansão do nível de ensino nas escolas indígenas do Estado e contou com a parceria da Unir, Organização de Professores Indígenas (Opiron), Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Representações de Ensino (RENs), Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Conselho de Missão entre Índios (Comin) Desde 1991 articulando as instituições que atuam e apóiam a educação dos povos indígenas, o Neiro trouxe à Capital o coordenador de Educação Escolar Indígena do Ministério da Educação, Gersen Baniwa, que palestrou sobre a realidade dos direitos índios sustentados por políticas que regulamentam a educação indígena. "O que acontece é que a grande maioria dos Estados não adota as políticas que dão sustentabilidade para a educação dos índios, mas as políticas existem", declara.

Josias Gavião, coordenador do Neiro, defende a idéia da maioria das etnias representadas no Fórum. "Nós queremos educação no sentido mais amplo da palavra, políticas municipais e estaduais que se proponham a atender o lado burocrático de uma instituição escolar e também a manutenção da cultura de cada povo", explica Gavião.

"O Neiro tem como principal função fortalecer a política educacional indígena, e é por isso que estamos sempre buscando novas e melhores formas de educar os nossos parentes", completa.

Multicultural
Segundo Adriano Karipuna, líder da etnia dos índios Karipuna, o último censo realizado pela Fundação Nacional Saúde em Rondônia (Funasa) registrou 26 mil índios no Estado, e cada etnia apresenta uma cultura diferente. "Nós precisamos de professores que tenham a capacitação para dar aulas na língua materna de cada povo e outros que ensinem disciplinas dos cursos Fundamental e Médio", justifica.

Karipuna conta que os indígenas só têm acesso até a 5ª série do nível fundamental e os que querem continuar os estudos precisam ir para as cidades mais próximas para concluir o nível médio. "Nossa escolas deveriam atender a essa educação básica por completo", desabafa o líder.

Baniwa justifica que os programas do Governo Federal para formação de professores, sejam indígenas ou não, servem para desmistificar essa questão. "Se o professor é índio ele já domina a cultura e só precisa do magistério, mas aqueles que têm nível superior com licenciatura específica devem passar pela formação intercultural. Não podemos é aglomerar profissionais para realizar a mesma tarefa em línguas diferentes", diz o representante do MEC.

Segundo Gersen Baniwa, Rondônia apresenta muitos problemas sem a inclusão das políticas na prática da educação indígena, mas ainda são pequenos se comparados a Estados como o Maranhão, que concretiza poucos benefícios das políticas educacionais direcionadas aos povos. "Quanto à falta do nível médio nas escolas indígenas, trata-se de mais um problema do Estado ou do Município, que o MEC não interfere, já que as escolas são de responsabilidade municipal ou estadual", explica.

O representante do MEC diz que nos Estados do Mato Grosso e Tocantins, as escolas indígenas contam com a inclusão e apresentam níveis satisfatórios de educação. "Isso é uma prova de que as políticas existem e podem ser usadas para o benefício dos índios, garantindo o acesso, permanência e qualidade dentro das diretrizes nacionais regulamentadas e consolidadas", conclui Baniwa

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