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Fora de aldeias, índios Yanomami pedem esmolas e vivem nas ruas de Mucajaí, RR.

G1 / https://g1.globo.com
Autor: Jackson Félix
29 de jul de 2019

Índios Yanomami têm ocupado com frequência as ruas de Mucajaí, no Sul de Roraima, para pedir esmolas, relatam moradores da cidade. Preocupados com a situação, eles pedem que a Fundação Nacional do Índio (Funai) tome alguma medida.

Segundo a presidente da Câmara dos vereadores, Andreia Almeida (PSL), os índios afirmam não terem comida nas comunidades ondem vivem. "É muito triste ver a situação deles", disse.

Em nota, a Funai disse que tem conhecimento da situação e acompanha o caso junto com o Distrito Sanitário Especial Indígena - Yanomami e que tem um plano de ação para o estabelecimento permanente de equipe de saúde na região.

A Funai afirma ainda que a presença indígena na região de Mucajaí se dá por conta dos acesso à serviços e retirada de benefícios, uma vez que não há a presença do estado em suas terras.

"O indígena é cidadão como todo brasileiro e é sujeito de políticas públicas não apenas da Funai, mas do Estado, Governo e Município, sendo que muitas políticas públicas não são apenas de responsabilidade da Funai", informou um trecho da nota.

O G1 também entrou em contato com a Hutukara Associação Yanomami, mas não obteve retorno.

Os moradores afirmam também que além de pedirem dinheiro, as crianças cometem pequenos atos de vandalismo em vários estabelecimentos e residências da cidade. A prefeitura estima, que 30 Yanomami vivem pelas ruas da cidade, entre crianças e adultos.

Durante o dia alguns deles vendem artesanatos, enquanto outros ficam ingerindo bebida alcoólica e chegam a cobrar R$ 50 para curiosos que pedem para tirar foto. Na parte da noite , eles se abrigam em um prédio abandonado próximo à prefeitura.

De acordo com a prefeita Eronildes Gonçalves, conhecida como Nega (PR), os índios não falam português e a maioria deles chega ao município por meio dos rios Ajarani e Mucajaí, para a retirada de um benefício social, e acabam permanecendo por lá.

"Eu não posso expulsá-los e fazer nenhum trabalho porque eles não pertencem ao nosso município. O dever é do município onde eles são cadastrados. Vamos tentar através da nossa guarda municipal e os comerciante que não vendam cachaça aos índios. Hoje eles são uma ameaça para nossa população. A gente fica com as mãos atadas", declarou.

Nas últimas semanas, um das crianças chegou a jogar urina na vidraça de uma loja do município, além derrubar as bicicletas dos clientes, afirma uma moradora. "Eles pedem muito e a população vai alimentando. No dia que não tem como alimentá-los, eles ficam com raiva", disse.

Em junho deste ano, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, de Mucajaí, enviou um ofício à Funai relatando o problema e cobrando providências, mas nada foi feito até o momento.

Uma conselheira tutelar, que preferiu não se identificar, disse também que há dois meses, o órgão chegou a protocolar um documento no Ministério Público estadual e aguarda resposta. "O descaso quanto aos índios [por parte dos órgãos responsável] é grande. A Funai está deixando a desejar", comentou.

A Funai afirma que os indígenas também são sujeitos às penalidades do Estado brasileiro. Em contrapartida, respeitando os artigos no 231 e no 232 da Constituição Federal de 1985, é dever do Estado considerar as especificidades dos povos indígenas que, seja antropológica, linguística ou religiosa.

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