OESP, Nacional, p. A11
12 de Mai de 2005
Fonteles deve pedir hoje investigação contra Jucá
Objetivo é verificar se houve uso irregular de empréstimo para empresa Frangonorte
Mariângela Gallucci
O procurador-geral da República, Claudio Fonteles, deverá pedir hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigação contra o ministro da Previdência, Romero Jucá. O objetivo é verificar se foram cometidas irregularidades na aplicação de recursos emprestados pelo Banco da Amazônia (Basa) ao abatedouro de frangos Frangonorte, do qual Jucá era sócio.
Será o segundo golpe contra Jucá nesta semana. Na terça-feira o juiz Cesar Henrique Alves, da 2.ª Vara Cível de Roraima, decretou o bloqueio das contas bancárias e a indisponibilidade dos bens da prefeita de Boa Vista (RR), Teresa Jucá, mulher do ministro, e de três empresários. Eles são acusados de desvio de quase R$ 4,9 milhões da verba de coleta de lixo mediante simulação de prestação de serviços - com base numa denúncia que menciona a participação do ministro na viabilização do contrato com uma das empresas. Os pagamentos por serviços não prestados foram feitos em 2001 e o contrato iria até 2006.
Durante o último mês, Fonteles analisou um procedimento administrativo aberto por procuradores da República em Roraima para investigar supostos problemas no empréstimo. Como suspeitaram da participação de Jucá, que na época era senador, os procuradores resolveram enviar o caso para Fonteles, que é responsável por investigar autoridades como parlamentares e ministros de Estado.
Antes de resolver se pediria a abertura de investigação no STF, Fonteles deu prazo para a defesa de Jucá explicar se o dinheiro recebido pela Frangonorte foi de fato aplicado na empresa.
Um dos defensores do ministro, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro entregou recentemente documentos na Procuradoria-Geral da República que, segundo ele, comprovam a inocência de Jucá. Na ocasião, Almeida Castro disse que esperava o arquivamento do procedimento. Segundo ele, no período em que Jucá foi sócio da Frangonorte, foram liberados R$ 750 mil e todo o dinheiro foi usado na empresa.
Mulher de ministro diz que Justiça não a notificou de bloqueio
A prefeita Teresa Jucá divulgou nota ontem para dizer que a Justiça não a notificou sobre o bloqueio de suas contas bancárias e bens. "Até o momento, não fui notificada para poder prestar as informações necessárias sobre aquilo que só tenho tomado conhecimento por intermédio da imprensa."
OESP, 12/05/2005, Nacional, p. A11
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