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Fogo destroi oito anos de pesquisa da Embrapa

OESP, Vida, p.A10
06 de Jan de 2005

Fogo destrói oito anos de pesquisa da Embrapa
Herton Escobar
Um incêndio que teria se alastrado de um lixão público vizinho destruiu um canteiro de pesquisa com cerca de mil pés de cupuaçu da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Mazagão, no Amapá. Os pesquisadores perderam todos os exemplares de 75 variedades da espécie que estavam sendo estudadas para melhorar a produtividade do fruto na região. "Queimaram oito anos de pesquisa", disse o chefe-geral interino da Embrapa no Amapá, Antonio Cláudio Almeida de Carvalho.
O fogo ocorreu no dia 23. Segundo Carvalho, a Embrapa já pediu várias vezes à prefeitura para que retire o depósito de lixo do local, mas sem sucesso. A empresa entrou até com uma ação no Ministério Público.
O prefeito José Carlos Corrêa de Carvalho (PDT), que tomou posse no sábado, disse que só ficou sabendo do incêndio ontem, pela imprensa. "O prefeito anterior não me comunicou nada nem a Embrapa me informou nada oficialmente", justificou. Ele disse que a falta de coleta e destinação adequada do lixo é um problema grave do município, que tentará solucionar com a ajuda da Secretaria de Meio Ambiente.
POTENCIAL
O objetivo do projeto da Embrapa, segundo Carvalho, é encontrar e selecionar mudas que ofereçam maior produtividade aos agricultores. "O cupuaçu é o produto de maior potencial para a fruticultura na Amazônia, mas ainda assim é muito pouco pesquisado", explica. "É uma cultura muito rústica e com grande diversidade genética. Existe árvore que produz muito e árvore que não produz nada."
Os pesquisadores começaram a estudar a espécie em 1997 e, nos últimos dois anos, coletaram variedades de 75 procedências em todo o Estado. O padrão para escolha era que as árvores deveriam produzir no mínimo 25 frutos. E o objetivo final, entregar para os produtores variedades com no mínimo 100 frutos por árvore. "Tínhamos alguns exemplares que até quebrava o galho de tanta fruta", contou Carvalho.
A estratégia agora é irrigar as árvores queimadas na esperança de que ainda produzam alguma gema, que possa ser usada para clonar a procedência genética em laboratório. A expectativa, antes do incêndio, era que as primeiras variedades seriam entregues aos produtores em dois anos.

OESP, 06/01/2005, p. A10

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