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Florestas urbanas II: conhecer para conservar

JC Online
Autor: Ricardo Braga
19 de fev de 2008

Em outro artigo sobre florestas urbanas, comentei sobre a necessidade de serem conhecidas pela sociedade, especialmente por sua vizinhança, para que sobrevivam. Defendi o diálogo da floresta com a cidade, onde ambas se beneficiem

Para isso, essas florestas "invisíveis" precisam ser descobertas pelos olhos e sentimentos dos habitantes urbanos, que historicamente passaram a ignorá-las e substituí-las por construções e lixo. Nessa condição, estão pelo menos 38 remanescentes de Mata Atlântica, espalhados pela Região Metropolitana do Recife, que desde 1987 foram considerados Reservas Ecológicas, por lei estadual. Foram criadas com o objetivo de proteger os já então fragmentos de floresta nativa e, ao mesmo tempo, salvaguardar os serviços ambientais por elas prestados, como proteção de mananciais hídricos, controle da erosão do solo, amenização do clima, entre outros.

Costuma-se dizer que não se defende aquilo que não se conhece. Tomando como verdadeiro, posso dizer: as florestas urbanas não são defendidas porque não foram apresentadas àqueles que poderiam defendê-las, os seus vizinhos.

Diferentemente dessas, o Parque Estadual de Dois Irmãos e a Estação Ecológica de Caetés, anteriormente também Reservas Ecológicas, foram recategorizadas pelo governo estadual em 1998 e contam com administração específica. Quase todas as demais continuam sem qualquer proteção ou estratégia de curto, médio ou longo prazo, para a sua conservação.

Hoje o Parque de Dois Irmãos não se traduz apenas no zoológico, que mantém os animais em cativeiro, muitos deles exóticos. É um espaço mais contextualizado, para contemplação da paisagem, recreação de crianças, jovens e adultos, e realização de caminhadas em trilhas na mata. Essas caminhadas, carinhosas e atentas, permitem não só a percepção dos movimentos de uma folha caindo ou a audição do estalado das asas de uma borboleta em dança nupcial, mas também a observação de plantas e animais nativos, em seu meio natural. É, por isso, um espaço para educação escolar e das comunidades do entorno e para pesquisas científicas de estudantes e professores das universidades federais, que também são seus vizinhos.

Nessa mesma linha, a Estação Ecológica de Caetés não mais significa para a população do seu entorno - de Abreu e Lima e Paulista - a mata que ia virar aterro de lixo na década de 1980. Hoje é um espaço aberto para a comunidade, que pratica esportes, leva suas crianças miúdas para brincar e desenvolve atividades culturais e artísticas, desde que compatíveis com uma unidade de conservação da natureza. É lá que populações carentes ou de classe média têm a chance de observar a Mata Atlântica e conhecer alguns dos seus moradores nativos, após serem recebidos no Centro de Visitantes.

Nesse contexto, é fundamental que cada floresta se mostre à comunidade vizinha como útil e interessante para ser preservada, valorizando-se inclusive os serviços ambientais por ela prestados. Assim, se terá o envolvimento da sociedade na proteção e gestão desses ecossistemas, incorporando-os à realidade do bairro e da cidade.

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