CB, Brasil, p. 14
15 de Fev de 2009
Floresta sob maior proteção
Governo prevê menor índice de queimadas na Amazônia desde 1988. Nova tecnologia permite que incêndios sejam debelados em tempo real
Leonel Rocha
Da equipe do Correio
Pela primeira vez desde 1988, ano em que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a analisar as fotografias de satélites que medem as queimadas na Amazônia, o governo projeta uma redução da destruição da maior floresta tropical do planeta. "O nosso planejamento prevê queimadas entre 8 e 9 mil km2", anunciou Roberto Messias, presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No ano passado, 11,9 mil km2 de floresta foram queimados.
A projeção otimista, segundo o dirigente do Ibama, tem bases técnicas. Um radar com tecnologia japonesa vai visualizar as queimadas mesmo que a região esteja coberta por nuvens. Hoje, os satélites do sistema operado pelo Inpe não conseguem fotografar os focos de queimadas quando o tempo está fechado. As imagens do novo fiscal eletrônico vão complementar os dados do atual sistema. "Essas imagens chegarão mais cedo ao Ibama e conseguiremos chegar em tempo real para tentar debelar os focos de incêndio quando ainda podem ser controlados", comemora Messias.
Além das novas imagens aéreas, o Ibama vai se beneficiar de um outro sistema para a identificação de queimadas. Trata-se de informações que serão fornecidas por um avião operado pela Polícia Federal. A aeronave vai sobrevoar os nove estados da Amazônia Legal em baixa altitude, para driblar a barreira de nuvens formada principalmente em épocas de chuva.
Outra medida prevista no planejamento do Ibama é a concentração da fiscalização nos 36 municípios do Norte que mais destruíram a floresta no ano passado.
Até março, o ministério do Meio Ambiente vai elaborar uma nova lista com os municípios onde mais se derrubam florestas.
Legislativo
Na Câmara, os projetos que reforçam a proteção da Amazônia correm risco com a disputa dos parlamentares ruralistas por vagas na Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
No ano passado, os deputados ligados aos grandes produtores rurais procuraram anular a ação dos ambientalistas e chegaram a barrar votações importantes na comissão. Depois de um ano tumultuado, a agenda de assuntos ligados ao meio ambiente no Congresso ainda está indefinida, com projetos importantes fora da lista de prioridades.
O presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, Sarney Filho (PV-MA), solicitou formalmente ao novo presidente da Câmara, Michael Temer (PMDB-SP), que os cargos da comissão sejam ocupados por deputados tecnicamente preparados para debater os assuntos da área. "Os assuntos ambientalistas ainda não conseguiram sensibilizar o Congresso Nacional", lamenta.
O parlamentar alerta para o descaso com os temas do setor também por parte do Executivo.
Ele criticou o governo por ter lançado um grande programa de construção de casas populares sem exigir que pelo menos uma parte dos chuveiros desses imóveis tenha como fonte de energia as placas solares. "As medidas internas para amenizar a crise internacional podem representar um retrocesso ambiental", prevê.
CB, 15/02/2009, Brasil, p. 14
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