GM, Opinião, p. A3
Autor: AGUIAR, Carlos Augusto Lira
20 de Dez de 2004
Floresta plantada e exportação
O setor poderia ter maior participação no comércio externo.
Carlos Augusto Lira Aguiar
O agronegócio brasileiro exportou US$ 31,44 bilhões no período de março de 2003 a fevereiro de 2004, confirmando a vocação nacional para esse conjunto de atividades que tira partido de nosso território, fixa as populações no interior do País e gera divisas para a Nação. Desse total, 16% (US$ 5 bilhões) são produtos florestais, predominantemente originados de florestas plantadas de eucalipto e pinus, o que coloca o setor como o segundo colocado no ranking dos produtos agrícolas, hoje liderado pelo complexo da soja, que atingiu nesse mesmo período 26% do total, ou US$ 8,4 bilhões. O resultado alcançado pelo segmento de florestas plantadas é fruto de décadas de pesquisa e desenvolvimento que culminaram com o aumento da produtividade do eucalipto e do pinus desde os anos 70. As plantações de eucalipto evoluíram. Passaram de 14 metros cúbicos por hectare ao ano na década de 70 para 27 metros cúbicos por hectare ao ano na década de 80, chegando a 38 metros cúbicos por hectare ao ano após 1995, com valores máximos atuais de até 70 metros cúbicos por hectare ao ano. Já as plantações de pinus saltaram de 18 metros cúbicos por hectare ao ano nos anos 70 para 33 metros cúbicos por hectare ao ano após 1995. Hoje, a produtividade pode ser de até 45 metros cúbicos por hectare ao ano. A par desse incremento na produtividade por área plantada, o setor investiu também na otimização do cultivo, na colheita e no transporte da madeira. Por causa disso, o custo e os preços da madeira em toras produzida no Brasil chegam a ser atualmente menos de 50% dos valores da madeira produzida nos Estados Unidos, Finlândia e Alemanha. A produtividade por hectare e o custo da madeira dão aos produtos florestais brasileiros uma competitividade única no mercado internacional, vantagem que não tem sido utilizada pelo Brasil, que, por não contar com uma política pública, é incapaz de articular todos os interesses existentes no meio florestal. Nossa competitividade contrasta com a nossa tímida participação no comércio internacional. O Brasil participa com 3% do comércio global, diante de 17% do Canadá, 10% dos EUA e 8% da Finlândia, este último um país cuja área equivale ao Estado de Minas Gerais. O crescimento da produção de florestas plantadas é mais um dos desafios nacionais que precisa ser vencido. Irá ocorrer em áreas proporcionalmente menores em relação ao crescimento e ocupação históricas, na razão inversa dos saltos de produtividade obtidos pela atividade florestal. Quando comparamos a relação dólares gerados em exportações por área das florestas plantadas com os dólares exportação por área de outros segmentos agrícolas, chegamos a US$ 1.019/hectare para os produtos florestais comparados a US$ 223/hectare de outros segmentos. Assim, a atividade florestal plantada, como integrante do agronegócio, é capaz de gerar mais de 1,5 milhão de postos de trabalho (só atividades de silvicultura), de fixar a população no campo, de recuperar a vegetação nativa nas áreas de reserva legal, de proporcionar a preservação permanente e de confirmar sua vocação exportadora. Altamente competitivo, o setor de florestas plantadas, que este ano comemora 100 anos de atividades no País, precisa, com urgência, de um planejamento global que permita uma boa gestão do patrimônio florestal brasileiro, capaz de garantir a sustentabilidade de negócios como o da celulose e papel, siderurgia, móveis e chapas de madeira. kicker: Investimento em produtividade levou o segmento a sucessivos recordes
Carlos Augusto Lira Aguiar - Presidente da Abraf.
GM, 20/12/2004, Opinião, p. A3
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