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Floresta nova deve ser cuidada como um pomar

OESP, Agricola, p.G7
27 de out de 2004

Floresta nova deve ser cuidada como um pomar
Deve-se dar bastante atenção ao desenvolvimento das plantas por pelo menos dois anos. Não basta plantar a muda e deixar que a natureza faça o resto.
Ibiapaba Netto
Especial para O Estado
Para a especialista em reflorestamento Claudette Hanh, da Fundação Florestal, ainda há muita confusão acerca do manejo apropriado de áreas em recuperação. "Não basta apenas plantar as mudas e deixar que a natureza se encarregue", diz. Segundo ela, os cuidados podem ser comparados à fruticultura e, por pelo menos dois anos, a área reflorestada requer acompanhamento constante. Ela comenta que a formação de uma floresta depende de três fases distintas, com plantas pioneiras, secundárias e clímax. Cada uma dessas fases corresponde a um grupo distinto de plantas, de implantação simultânea. "Antigamente acreditava-se que o correto era entrar com cada uma dessas espécies em separado, formando a mata aos poucos." Hoje, no entanto, ela comenta que os três grupos são plantados ao mesmo tempo. Além de dar resultados melhores, economicamente é mais barato.
A fim de esclarecer detalhes como esse, Claudette coordenou o lançamento do livro Reflorestamento: da muda à semente, editado pela Fundação Florestal.
Detalhes importantes acerca do manejo adequado para o reflorestamento são esclarecidos na literatura. "Os dois primeiros anos, em que a floresta está formação, são os mais importantes", diz. "É o tempo necessário para que a mata se consolide." Caso os cuidados necessários não sejam tomados, depois de alguns anos a mata pode entrar em declínio. Antigos problemas, como reprodução de mudas e a manutenção de um acervo de espécies, foram superados.
Passivo Ecológico
De acordo com estimativas do Centro de Energia Nuclear para Agricultura (Cena-USP), o Estado de São Paulo tem um passivo ecológico de 1 milhão de hectares de matas ciliares devastadas, o que corresponde a cerca de 120 mil quilômetros de margens de rios descobertas. Para reflorestar toda essa área, seriam necessários nada me nos do que R$ 5 bilhões, segundo cálculos da Secretaria do Meio Ambiente (Sema).
Apesar de existirem diversos programas que financiam projetos de reflorestamento, os recursos não são suficientes. "Existe uma espécie de cotas de mudas e sementes por propriedade, o que torna inviável o subsídio total para o reflorestamento de áreas maiores", explica a coordenadora do Programa de Reflorestamento, Helena Carrascoza, da Sema.
Custear o investimento da recomposição, entretanto, pode ser pesado para o produtor, segundo cálculos do pesquisador Paulo de Toledo, do Instituto de Economia Agrícola (IEA). "Estimamos algo em torno de R$ 5 mil por hectare reflorestado." Segundo ele, o ideal é que o produtor consiga retirar renda da área reconstituída. "Com a divulgação dos benefícios do reflorestamento, a venda de mudas e sementes de plantas nativas será uma atividade a ser explorada economicamente", acredita.
De acordo com o assistente de diretoria do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN), José Francisco Trevisan, o acompanhamento do Ministério Público (MP) em áreas em recuperação é necessário para evitar mal-entendidos. "Pode acontecer de o projeto determinar que se faça, por exemplo, um aterro e, se a Polícia Ambiental não estiver por dentro do projeto, pode entender como degradação e autuar o proprietário", diz. Segundo ele, o processo é simples e sem burocracia, bastando praticamente procurar o escritório mais próximo do DEPRN.

Crime ambiental pode dar multa e 3 anos de cadeia
A Legislação brasileira prevê a manutenção das Áreas de Preservação Permanente, de acordo com a lei federal 9.605 de 12/2/98. "É crime ambiental qualquer transgressão ao meio ambiente", define o assistente de Diretoria Francisco Trevisan. Danificar uma APP pode resultar em multas que passam de R$ 7.500, além da possibilidade de 1 a 3 anos de reclusão. Reservas ambientais devem ocupar 20% da propriedade, pelo menos, e serem averbadas em cartório. "Ele pode fazer isso espontaneamente, ou esperar para declarar obrigatoriamente em seu ITR", diz.

Entidade quer recursos externos para reflorestar
De acordo com a coordenadora dos Programas de Reflorestamento da Sema, Helena Carrascoza, a entidade está à espera da liberação de US$ 7 milhões, cerca de R$ 20 milhões, oriundos de um Fundo Global de Desenvolvimento, criado após a Eco-92, para financiar projetos que tragam benefícios globais. "E um dinheiro a fundo perdido. Esperamos que ele seja logo aprovado", diz. O processo está adiantado e a expectativa é a de que até o fim deste ano o dinheiro esteja disponível. Helena comenta que o projeto prevê o reflorestamento de cinco grandes bacias que cortam o Estado de São Paulo. "São áreas que representam um pouco de toda a fauna e flora que possuímos", diz.
A exemplo do Programa de Microbacias Hidrográficas, assim que os recursos estiverem disponíveis, os interessados poderão se cadastrar. "Queremos fazer uma grande vitrine mostrando todos os benefícios sociais e econômicos decorrentes do reflorestamento."
I.N.
Saiba mais:
Cati, (0--19) 3242-2600; Usina Vale do Rosário, (0--16) 3820-2066; Secretaria do Meio Ambiente, (0--11)3030-6086; Esalq, (0--19) 3429-4354; IEA, (0--11) 5067-0477; DEPRN, a (0--11) 3726-4002; Fundação Florestal, (0--11) 6997-5014

OESP, 27/10/2004, p. G7

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