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Floresta amazônica terá mais 210 mil km² protegidos

O Globo, Ciência e Vida, p. 19
27 de mar de 2006

Floresta amazônica terá mais 210 mil km² protegidos

Tulio Brandão
Enviado especial
Curitiba.

O governo brasileiro vai transformar nos próximos três anos 210 mil quilômetros quadrados da Amazônia em unidades de conservação. A área, que representa 4,2% do bioma no Brasil, é equivalente a cerca de cinco vezes à do Estado do Rio. A informação foi dada ontem pelo Ministério do Meio Ambiente durante a 8 Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU (COP8), em Curitiba.
A meta faz parte do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), criado em 2002, que prevê também a implementação e a consolidação de unidades. Desde 2002, 160 mil quilômetros quadrados já ganharam proteção. A previsão é que o programa esteja concluído em 2012.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), faltam 20 mil quilômetros quadrados para concluir a primeira fase - que prevê 90 mil km² para áreas de proteção integral e outros 90 mil km² para o uso sustentável. O coordenador do Arpa no MMA, Ronaldo Weigand Júnior, explica que o programa vai além da criação de unidades.
- O Arpa visa também a criar um mecanismo forte de manutenção das unidades. O grande desafio das unidades de conservação é a gestão de longo prazo das áreas protegidas. O Arpa prevê essa questão - diz Weigand.
O programa foi orçado em US$ 400 milhões. Os US$ 81 milhões necessários à primeira fase foram captados numa parceria entre o governo brasileiro, o Fundo Mundial do Meio Ambiente (GEF), o Banco Alemão de Cooperação (KFW) e o WWF-Brasil. O custo da segunda fase ainda não foi calculado. A gestão e a manutenção das unidades serão pagas com os rendimentos do Fundo de Áreas Protegidas (FAP). O dinheiro está sendo administrado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
A superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Rosa Lemos de Sá, diz que a meta traçada pelo programa é factível:
- O programa não deve ser interrompido mesmo se não houver reeleição no Planalto, porque foi iniciado na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os investimentos diretos na segunda fase não devem representar problema, porque vai sobrar verba da primeira fase e deve haver investidores interessados. O obstáculo, que não é intransponível, é chegar aos US$ 240 milhões previstos para estar no fundo até 2012. Há uma carta de intenções assinada pelo governo brasileiro, pelo KFW e pelo WWF-Brasil em que cada parte se compromete a captar US$ 70 milhões.
Por enquanto, porém, há apenas US$ 10 milhões depositados. Ontem, uma empresa brasileira mostrou disposição de contribuir com a proteção da Amazônia. O presidente do Boticário, Miguel Krigsner, doou US$ 1 milhão ao Fundo de Áreas Protegidas da Amazônia. A verba está entre as maiores contribuições de empresas brasileiras para o meio ambiente.

O Globo, 27/03/2006, Ciência e Vida, p. 19

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