O Globo, Amanhã, p. 7
03 de Set de 2013
Flora desconhecida
Expedição 'Montanhas da Amazônia' registra riqueza vegetal em áreas onde pouca ou nenhuma coleta botânica já foi realizada
BOLÍVAR TORRES
bolivar.correa@oglobo.com.br
Na quinta-feira, comemora-se o Dia da Amazônia. Mas, apesar da efeméride, ainda pouco se sabe sobre a diversidade vegetal das montanhas da região. Pensando nisso, o projeto "Riqueza de Espécies em Regiões Montanhosas da Amazônia Brasileira: Diversidade e Conservação", ou simplesmente "Montanhas da Amazônia", realizado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro em parceria com a Natura, tenta registrar a riqueza florística dessas áreas em que pouca ou nenhuma coleta botânica já foi realizada. Depois de passar, entre 2011 e 2012, por lugares de difícil acesso, como Serra do Aracá (Amazonas), Serra da Mocidade (Roraima) e Pico da Neblina (Amazonas), a equipe coordenada pelo pesquisador Marcus Nadruz Coelho iniciará sua quarta e última expedição no próximo dia 16, alcançando o Monte Caburaí (Roraima) e voltando à Serra da Mocidade. A cada viagem são trazidas de 800 a mil amostras. O material coletado está sendo estudado e um livro será publicado com o resultado da expedição.
- Não podemos confirmar, mas temos quase certeza que entre as amostras há espécies raras, algumas nunca antes registradas no Brasil, e também novas espécies - comemora Coelho. - O certo é que aumentará muito o nosso conhecimento da flora brasileira nestas áreas.
A falta de informação sobre a flora local se explica pela dificuldade em chegar nos picos. A Serra da Mocidade é um mistério até para a equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que administra o complexo. O acesso à montanha só é possível de helicóptero. A equipe teve duas tentativas frustradas de pousar no Pico da Neblina - o mais alto do país, com 2.993 metros. É preciso pousar numa área pré-estabelecida, mil metros abaixo do pico, e depois subir com a ajuda do conhecimento dos índios.
- São áreas que possuem um clima muito especifico - detalha Coelho. - Encontram-se plantas mais rasteiras, como orquídeas e algumas bromélias. As árvores são poucas.
O Globo, 03/09/2013, Amanhã, p. 7
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