OESP, Nacional, p.A21
13 de Dez de 2003
Flamarion decide sair do PT por 90 dias
Governador de Roraima diz que quer facilitar investigação por desvio de dinheiro público
Em carta enviada ontem à direção nacional do PT, o governador de Roraima, Flamarion Portela, pediu o afastamento do partido por 90 dias. Ele está sendo investigado por envolvimento no escândalo do desvio de dinheiro público com contratação de servidores fantasmas, chamados gafanhotos. "Quero, desta forma, poupar a direção do partido, bem como meus companheiros e companheiras de constrangimentos e favorecer uma investigação minuciosa, serena e imparcial", diz Flamarion.
Acusações - O governador transfere a responsabilidade por "irregularidades administrativas" para seu antecessor, Neudo Campos.
O afastamento de Flamarion acontece no momento em que parlamentares contrários à expulsão de quatro colegas petistas que cobram da direção do PT que o governador seja suspenso ou, pelo menos, submetido à comissão de ética. O presidente do PT, José Genoino, negou, porém, qualquer ligação entre a decisão do governador e a pressão dos rebeldes. "Não pedi (que Flamarion se afastasse) porque não era minha tarefa solicitar pessoalmente uma carta, foi um trabalho conjunto com o partido em Roraima", disse Genoino.
A ex-governadora do Amapá Dalva Figueiredo, da executiva nacional, esteve duas vezes em Roraima para avaliar a crise no Estado e negociar uma solução. "Estamos trabalhando há 15 dias com o partido em Roraima. Temos defendido investigação rigorosa. Qualquer coisa que surge hoje alguns interpretam como luta interna. A direção do partido não está preocupada com luta interna, mas em investigar as irregularidades. A questão da disciplina não tem nada a ver com esta carta", insistiu Genoino.
Ética - Em carta enviada semana passada ao presidente do partido, o grupo petista Movimento PT também havia recomendado que a direção petista suspendesse temporariamente o governador de Roraima ou o submetesse à comissão de ética.
No documento de ontem, Flamarion Portela ataca Neudo Campos, de quem foi vice. Campos deixou o governo em abril de 2002 para candidatar-se ao Senado. Flamarion se candidatou à reeleição, pelo PSL, foi eleito e, em março, migrou para o PT.
O governador nega ter sido "omisso ou conivente" com qualquer irregularidade. "Coube-me enfrentar interesses poderosos e escusos incrustados na máquina administrativa do Estado e realizar, pela primeira vez na história de Roraima, concursos públicos para contratação de servidores", diz o governador, acrescentando que tem sofrido ameaças de morte.
A direção petista formará uma comissão para acompanhar as investigações. "Os deputados que queiram esclarecer estes fatos podem ir para o Estado de Roraima. O PT, quando se defronta com irregularidades, não é conivente nem omisso. A iniciativa do governador Flamarion e dos companheiros do PT em Roraima dá exemplo para o partido nacional", disse o presidente do partido.
Cobrança - "Flamarion fez o que a direção do PT deveria ter feito e sua atitude mostra que nós não estamos fazendo factóide no Salão Verde da Câmara, como disse Genoino", disse o deputado Ivan Valente (PT-SP), um dos parlamentares que cobraram medidas contra o governador. (Luciana Nunes Leal, colaborou Vera Rosa)
OESP, 13/12/2003, p. A21
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