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Autor: Vinicios Araujo
02 de Nov de 2025
Finados propõe reinterpretação da morte e resgate de tradições indígenas em MS
Conforme a ativista, a vida e a morte fazem parte de um ciclo natural e espiritual para comunidades originárias
O Dia de Finados, celebrado neste domingo (2), é reinterpretado pela espiritualidade e compreensão de mundo dos povos indígenas, indo além da tradição cristã introduzida pela colonização. As explicações são da ativista indígena Evelin Hekeré. Ela integra a etnia Terena, uma das oito que compõem a comunidade em Mato Grosso do Sul.
Segundo explica a pós-doutora em Educação, embora muitos Terena sejam católicos ou evangélicos e participem das visitas aos cemitérios, a data é ressignificada por aqueles que preservam as tradições originárias. Conforme a ativista, na visão Terena, a vida e a morte fazem parte de um ciclo natural e espiritual.
Hekeré detalha que, nesta cosmovisão, o espírito não desaparece após a morte. "Ele retorna à terra, às águas, às árvores e aos ventos", afirmou.
MS conta com a segunda maior população indígena do país. São 8 povos indígenas, espalhados por 29 municípios. Além da comunidade Terena, ainda há Guarani, Kaiowá, Kadiwéu, Kinikinaw, Atikun, Ofaié e Guató.
Esses povos celebram a memória de seus antepassados, preservando entre gerações a sua cultura.
Desta forma, o ato de lembrar dos que partiram se torna uma forma de reconexão com os ancestrais e de fortalecimento do vínculo com a memória e com o território, onde os espíritos continuam presentes.
"O Dia de Finados é um momento de reverência e lembrança dos antepassados que abriram caminhos e mantiveram viva a cultura, a língua e o território", explica Evelin.
Ao longo deste feriado, que leva milhares de sul-mato-grossenses aos cemitérios para homenagem aos antepassados, nas comunidades Terena existe o processo de luto interno, conforme explica a ativista.
"Ocorrem cantos Terena, em que, uma vez estes cantados, jamais se repetirão", pontua.
Efeitos da evangelização
Evelin Hekeré também destaca o impacto do processo de evangelização, que incentivou mudanças cruciais na cultura indígena de Mato Grosso do Sul.
"A evangelização incentivou novas formas de organização familiar, com base em casamentos monogâmicos e cerimônias cristãs. Houve também mudanças nos papéis de gênero, já que as igrejas, especialmente as evangélicas, trouxeram visões mais rígidas sobre o papel da mulher e da liderança espiritual. Apesar disso, as mulheres Terena continuam sendo protagonistas na espiritualidade e na transmissão da cultura, inclusive dentro das igrejas", afirma.
Segundo Evelin, lembrar dos que partiram é uma forma de reconectar-se com os ancestrais. "Fortalecer o vínculo com a memória e com o território, onde os espíritos continuam presentes", defende.
O Jornal Midiamax tentou contato com representantes de outras etnias, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
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