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Festa da demarcação dos denis só termina amanhã

Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: Maura Campanili
05 de ago de 2003

Cerca de 220 índios e vários convidados participam da "aniha anishara", uma apresentação típica onde as pessoas conversam cantando

Os índios denis, que habitam a planície entre os rios Purus e Juruá, no estado do Amazonas, estão realizando uma cerimônia de celebração pelo término da demarcação de suas terras. Cerca de 220 índios, de quatro das oito aldeias denis, e vários convidados participam da festa que começou hoje pela manhã e só deve terminar amanhã. Nesta tarde, o destaque é "aniha anishara", uma apresentação típica onde as pessoas conversam cantando.

A comemoração encerra uma luta de quatro anos, na qual índios e ambientalistas do Greenpeace uniram-se para garantir que parte da floresta onde vivem os denis não fosse derrubada por madeireiras e que os direitos dos índios sobre a terra fossem assegurados. Além de funcionários e voluntários da organização não-governamental, participam da festa deni Virgílio Viana, secretário de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Jorge Alberto, da área de fiscalização da Funai, Bonifácio Baniwa, presidente da Fundação Estadual de Política Indigenista do Amazonas (Fepi), o pesquisador Victor Py-Daniel, do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), além de representantes do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e da Polícia Militar Ambiental.

"Estamos fazendo uma festa bonita e vamos cantar as músicas dos denis. Ajudamos no trabalho, aprendemos um bocado e chegamos com saúde", disse Maruho Deni, da aldeia Itaúba. "Agora. a gente vai colocar barracas para vigiar nossa terra", avisa.

Nilo D'Avila, coordenador do projeto de autodemarcação da terra Deni pelo Greenpeace, conta que o trabalho direto com um povo indígena foi uma novidade e representou um grande aprendizado para a organização. "Acima de tudo, ficou claro o papel das terras indígenas na proteção das florestas e como elas formam uma barreira ao desmatamento. É um grande serviço ambiental prestado pelos índios, sem nenhum reembolso", disse.

Segundo D'Avila, além de ajudar os denis a elaborar o planejamento de vigilância de suas terras, o Greenpeace pretende apoiar a finalização da demarcação de todas as terras indígenas. "Vamos apresentar o caso Deni no Congresso Mundial de Parques, em Durban, na África do Sul, em setembro, e provocar a discussão do papel dos povos indígenas na preservação."

O Greenpeace se envolveu com a demarcação da Terra Indígena Deni em 1999, durante a investigação da compra de 313 mil hectares de floresta pela gigante madeireira malaia WTK, que pretendia explorar madeira para a produção de compensados destinados à exportação. Durante a investigação de campo, a equipe da ong encontrou as remotas aldeias denis, na bacia do Rio Purus, e descobriu que aproximadamente 150 mil hectares das terras compradas pela WTK se sobrepunham ao território dos índios.

Ao serem informados do fato, os denis pediram ajuda ao Greenpeace para proteger sua terra e conseguir a demarcação, ou seja, o reconhecimento constitucional dos direitos sobre seu território. Como a Funai não cumpriu os prazos prometidos, os índios decidissem realizar eles mesmos a demarcação, com ajuda de várias instituições. Agora, eles comemoram, finalmente, a demarcação oficial do governo federal.

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