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Ferrogrão tem viabilidade questionada por economistas

Valor Econômico - https://valor.globo.com/empresas/noticia/
15 de mar de 2021

Ferrogrão tem viabilidade questionada por economistas
Além das questões socioambiental e financeira, há crítica à criação de uma "conta vinculada" de R$ 2,2 bilhões para minimizar custos para atrair investidores

Por Daniel Rittner - De Brasília

A divergência Ministério da Infraestrutura-Rumo -, ou Tarcísio Freitas-Rubens Ometto se houver a necessidade de personificá-la - em torno da extensão da Malha Norte precisa ser interpretada à luz de outra ferrovia igualmente bilionária: a Ferrogrão, projeto com 933 quilômetros entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), que o governo pretende leiloar no fim deste ano. Uma das maiores prioridades de Tarcísio é atrair investidores para tirar do papel a Ferrogrão, que exigirá investimentos de R$ 8,4 bilhões, numa estimativa do ministério frequentemente tida como conservadora no mercado.
Para ele, ao fomentar o escoamento de grãos (principalmente soja e milho) do Mato Grosso pelo chamado Arco Norte, a ferrovia reforçará uma alternativa logística ainda subexplorada, possibilitando um efeito cascata: concorrência maior entre operadores, barateamento dos fretes, ganho de competitividade aos produtores agrícolas. De Miritituba, a carga poderá seguir por hidrovia até portos como Vila do Conde (PA).
Para viabilizar o sucesso do leilão, a equipe de Tarcísio montou até um mecanismo inovador para os potenciais interessados na Ferrogrão. Pretende criar uma "conta vinculada" com R$ 2,2 bilhões em recursos que estão sendo pagos pela Vale a título de outorga pela renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Carajás (EFC) até 2057. Para o ministério, essa modelagem atenuará a percepção de risco dos investidores.
O dinheiro poderia ser usado, por exemplo, em uma eventual escalada de custos com desapropriações ou compensações socioambientais não detectadas nos estudos. Para os críticos, trata-se de um subsídio disfarçado e uso contestável de dinheiro da União.
À Rumo, interessa chegar - se possível antes da Ferrogrão - ao coração agrícola do Mato Grosso, evitando o risco de perder a atual preferência dos produtores rurais pelo "combo" caminhão até Rondonópolis-trem-porto de Santos.
Economistas renomados, no entanto, questionam a viabilidade da Ferrogrão. "É altamente questionável, não apenas do ponto de vista socioambiental, mas - igualmente importante - do ponto de vista financeiro. Pelo menos neste momento e com as premissas corretas, ela não fica em pé", disse Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter. B, em debate organizado pelo Insper Global na semana passada.

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