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Femact encerra audiências sobre Biocapital

Folha de Boa Vista
Autor: Cyneida Correa
23 de out de 2008

Femact encerra audiências sobre Biocapital

Cyneida Correa

Mais de 300 pessoas entre políticos, alunos, professores, pesquisadores e técnicos de instituições públicas e particulares participaram ontem da audiência pública para discutir o licenciamento ambiental da Usina de Processamento de Biocombustível-Etanol, que a empresa paulista Biocapital quer implantar no Km 50 da BR-401, no Município de Bonfim.
O evento foi organizado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia de Roraima (Femact) no Museu Integrado de Roraima. Foram realizadas outras duas audiências nos municípios de Bonfim e Cantá.
Por mais de quatro horas, foi debatido o impacto de implantação da usina em Roraima, além de discutido de que maneira o projeto vai interferir no ecossistema e na biodiversidade do Estado.
Especialistas de diversas áreas protestaram contra a forma como será instalada a usina, pois acreditam que a fábrica trará danos irreversíveis ao homem e ao meio ambiente, caso providências não sejam tomadas para corrigir erros. Um dos maiores questionamentos é que a usina estará vizinha a terras indígenas.
O biólogo Ciro Campos disse que existe possibilidade de contaminação da água e do ar com a implantação da usina. "A empresa precisa verificar a possibilidade de impacto sobre os organismos aquáticos, tanto pelo potencial da biodiversidade quanto pelos recursos pesqueiros. Também nos preocupamos com o fato de a fumaça produzida pela usina alcançar Boa Vista", disse.
A gerente executiva do Ibama em Roraima, Nilva Baraúna, fez uma avaliação positiva da audiência pública. "Nossa avaliação foi boa. O projeto está bem explicado e o que está faltando são detalhes técnicos que devem ser revistos", avaliou.
Para ela, pelo fato de o empreendimento estar em área de influência de terras indígenas e utilizando o rio Tacutu como fonte de abastecimento, o licenciamento ambiental para a empresa deveria ser de competência do Ibama.
"Na audiência, todos puderam cobrar melhores detalhes e agora faltam apenas questões técnicas que precisam ser revistas. A audiência foi muito boa, porque esclareceu bem questões como capacidade da usina, o que vai proporcionar em termos ambientais e de desenvolvimento, questões sócio-econômicas. Agora precisamos apenas aguardar os resultados, pois é uma audiência para licença prévia e com certeza será encaminhada da melhor forma possível, sendo principalmente levado em consideração toda a legislação ambiental vigente".
EMPRESA - O superintendente da empresa, Cláudio Cavalcante, informou que a Biocapital trabalha há anos nesse ramo, com fábrica na cidade de Charqueada, que fica distante 18 quilômetros de Piracicaba, interior de São Paulo.
Segundo explicou na audiência, inicialmente serão plantados 75 mil hectares de cana-de-açúcar, gerados 1.000 empregos para implantação da usina e, após sua implantação, este número sofrerá um acréscimo de 200 a 250 empregos diretos.
A escolha de Roraima para investir foi devido às condições climáticas e por não haver ainda na região Norte nenhuma fábrica de etanol. O Amazonas será abastecido com a produção roraimense.
Para ele, a preocupação da população boa-vistense demonstrada na audiência pública é pertinente. "Essa audiência atendeu o objetivo de esclarecer a sociedade e as pessoas tiraram todas as dúvidas em relação ao projeto. Embora a gente saiba que as pessoas são bem esclarecidas, nos esforçamos bastante para que todas as dúvidas fossem tiradas", disse.
Ele afirmou ainda que faz parte da missão da Biocapital "atuar de forma segura, com responsabilidade social e ambiental, buscando maximizar o desempenho da empresa, como forma de garantir sua perenidade, seus investimentos e contribuindo para o desenvolvimento".
FEMACT - O diretor presidente da Femact, Daniel Gianluppi, explicou que a classe produtora defendeu o empreendimento e a classe ambientalista questionou os problemas ambientais que a implantação da usina pode gerar. "O resultado da audiência foi bom porque a gente vai ver o que se pode aproveitar de sugestões e reclamações, e verificar se o que foi criticado tem razões de ser", disse Gianluppi.
Disse ainda que todas as reclamações pertinentes serão incorporadas ao processo e será feita uma avaliação final antes da expedição do licenciamento ambiental. "Muita gente falou de problemas, mas apenas dois documentos foram encaminhados à Femact para análise por parte dos ambientalistas. Vamos transcrever todas as reclamações feitas nessa audiência e analisar tudo com maior carinho possível", explicou. O próximo passo é a expedição do licenciamento ambiental para a empresa.

Folha de Boa Vista, 23/10/2008

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