O Globo, Rio, p.22
27 de Mar de 2004
FAZENDA OCUPADA POR SEM-TERRA PREOCUPA IBAMA
Especialistas temem a degradação de córregos e vegetaçãoTécnicos do Ibama vistoriaram ontem a Fazenda Santa Justina, em Mangaratiba, ocupada parcialmente há uma semana por cerca de 500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O objetivo inicial era verificar se a reserva particular de Mata Atlântica, que corresponde a 60% da área da fazenda, estava ocupada. O lugar continua intocado, mas os técnicos ficaram preocupados com a vegetação e os córregos no restante da fazenda. Eles apresentarão um parecer para que a Justiça e o Ministério do Meio Ambiente decidam como agir com relação aos sem-terra.Os técnicos foram bem recebidos no acampamento, batizado de Olga Benário. Os líderes dos sem-terra entenderam o problema e na segunda-feira vão se reunir com representantes do Ibama. A questão do meio ambiente é muito importante para nós. Se for decidido que o local não é apropriado, vamos tentar encontrar outra área para agredir menos a natureza disse o coordenador do acampamento, Amaro Carlos.Reintegração de posse será julgada na terça-feiraA Fazenda Santa Justina tem mil hectares, dos quais 600 são, há sete anos, uma reserva particular do patrimônio natural. À primeira vista, o gerente-executivo do Ibama no Rio, Edson Bedim, considerou toda a região ambientalmente sensível a qualquer nova construção. Estamos analisando a situação, mas a princípio a área parece muito sensível, dada a presença de cursos de água e vegetação em recuperação. Se a área for considerada de preservação permanente, não podemos permitir empreendimentos explicou Bedim.Segundo o gerente do Ibama, o impedimento para construções não se restringiria a casas dos sem-terra. Há uma denúncia de que um condomínio ilegal seria construído no local. Ontem, durante a vistoria, foram encontrados máquinas e pontos de extração de pedras, o que aumentou a suspeita dos fiscais.A maior preocupação dos sem-terra é com a decisão que a Justiça vai tomar na próxima semana. Até segunda-feira, a liminar de reintegração de posse está suspensa. Depois disso, os sem-terra pretendem resistir até conseguir a posse da terra. Eles alegam que a propriedade em questão está improdutiva desde 1986 e foi liberada para desapropriação em 2002. Segundo representantes da empresa Santa Justina, o pedido de reintegração de posse será analisado na próxima terça-feira, na 7ª Câmara Cível, no Rio. Enquanto a questão não se resolve, os proprietários fizeram um acordo com os sem-terra para que o acampamento fique limitado a uma pequena área na entrada da fazenda.
O Globo, 27/03/2004, p. 22
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