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Fazenda ocupada na semana passada em MS pertencia a índios guarani, afirma cacique

Agência Brasil - www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/11/03/materia.2009-11-03.4257078616/view
Autor: Alex Rodrigues
03 de nov de 2009

Brasília - Líder da Aldeia Pirajuí, localizada na cidade de Paranhos (MS), na fronteira com o Paraguai, o cacique Irineu Vera afirma que, originalmente, a Fazenda São Luiz pertencia aos índios da etnia guarani, que a invadiram na semana passada. Segundo o cacique, parte da comunidade deixou a área, há algumas décadas, devido à falta de atendimento médico e à escassez de recursos. Agora que o espaço da aldeia se tornou insuficiente devido ao crescimento da população indígena, os guarani desejam voltar à antiga área.

"Eles deixaram a fazenda porque, na época, não havia remédios ou atendimento médico. As pessoas tinham que ir até Pirajuí. Agora queremos voltar porque tem muita gente na aldeia e a população está aumentando. O lugar é pequeno para nós", declarou Vera, por telefone, à Agência Brasil. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), entre 350 e 400 pessoas vivem na Pirajuí. A Fazenda São Luiz fica em uma das 32 áreas que os índios querem que sejam demarcadas como área indígena por terem sido habitadas por seus antepassados, alvos de estudos antropológicos já em andamento.

Com dificuldades para se comunicar em português, Vera disse que a comunidade está apreensiva em relação ao destino dos professores e primos Olindo e Jenival Vera, desaparecidos desde a tarde do último sábado (31), quando seguranças da fazenda expulsaram do local os 18 índios que haviam ocupado parte de propriedade na quarta-feira (28).

O cacique diz que os índios pretendem pedir para acompanhar os policias federais deslocados de Naviraí (a cerca de 270 quilômetros de Paranhos) para apurar as denúncias de que os dois índios teriam sido detidos pelos seguranças. Vera esteve hoje na fazenda e diz temer pelo pior.

"O pai do Jenivaldo diz que o filho correu para um lado e o Olindo para outro. Aí eles desapareceram. Não sei, mas se [os dois] estiverem amarrados por aí já não devem mais estar vivos porque está um calorão e ninguém ia aguentar quatro dias [no mato]. E se [os seguranças] mataram, tiraram [os corpos] de lá", diz Irineu, que afirma não ter participado da ocupação.

Jenival e Olindo Vera têm formação universitária e trabalham como professores indígenas. Para o chefe do posto da Funai em Paranhos, Luís Américo, se pudessem eles não teriam dificuldades de se comunicar com a comunidade ou com a própria Funai. Além disso, Américo lembra que não seria difícil localizar os dois em meio à vegetação, típica de Cerrado, que também permitiria que os dois voltassem à aldeia sem maiores dificuldades.

A reportagem ainda não conseguiu entrar em contato com o dono ou os administradores da Fazenda São Luiz.

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