OESP, Economia, p. B2
Autor: MING, Celso
19 de Dez de 2009
Fauna ecológica
Celso Ming
Você pode não entender de questões ambientais, mas, com certeza, faz parte de pelo menos um dos grupos de ecologistas descritos a seguir.
Inspirado por artigo do especialista Stewart Brand, no New York Times de 14 de dezembro, e com base em observações pessoais, a fauna de debatedores da questão ambiental se divide em quatro categorias básicas: econegativistas, ecocéticos, ecoalertadores e ecoalarmistas. Não se pode esquecer de um quinto grupo, provavelmente mais numeroso, o dos ecoindiferentes. Confira.
Econegativistas - São aqueles que acreditam em que as emanações de dióxido de carbono (CO2) não apresentam nenhum grande risco. Sustentam que, desde que o mundo é mundo, fontes de gases venenosos, catástrofes e mudanças climáticas aconteceram naturalmente e, no entanto, o Planeta sempre se recuperou dos golpes. Estão aí os vulcões, os desertos, os mares mortos e tantos fenômenos que produzem mais calor, mais devastação e mais gases deletérios do que a obra do homem. Mais cedo ou mais tarde, dizem eles, virá uma nova era glacial e todos rirão da histeria provocada pelos profissionais da ecologia, que vivem da propensão dos desinformados a esperar sempre pelo fim do mundo. Esses profissionais semeiam o pânico com afirmações destituídas de qualquer fundamento científico. Entre os econegativistas se destacam o senador republicano James Inhofe, de Oklahoma, e o colunista George Will, do Washington Post.
Ecocéticos - Estão sempre encontrando inconsistências e contradições nas explanações de ecologistas de todas as tendências e lamentam a falta de consenso entre os cientistas. E, no entanto, eles próprios não tomam posição. Por isso, são confundidos com os econegativistas. Entre estes incrédulos está o físico da Universidade Princeton (professor já aposentado) Freeman Dyson. Ele afirma categoricamente que não acredita nas conclusões tiradas a partir de modelos rodados em computador.
Ecoalertadores - Formam o grupo daqueles que acreditam em que o aquecimento global é produzido pelo ser humano e que essa situação tem de ser rapidamente revertida. Seus líderes são os cientistas James Hansen (da Universidade Columbia), Stephen Schneider (da Universidade Stanford) e James Lovelock (professor visitante honorário da Universidade Oxford). O ponto de vista deste grupo pode ser pinçado de um trabalho seminal de Hansen: "Se a humanidade quiser manter o Planeta em condições similares às que se encontrava quando a civilização se desenvolveu, então é preciso reduzir a concentração de CO2 na atmosfera de 395 partes por milhão para no mínimo 350."
Ecoalarmistas - São os profetas das calamidades de todo o tipo, sempre iminentes. "Furacões, tempestades de raios e tornados não são obras de Deus, mas do homem. É o fim da natureza", garante um dos líderes do grupo, o escritor e ambientalista americano Bill McKibben.
Nesse segmento há de tudo. Há gente honesta e bem-intencionada. Há os aproveitadores que vivem e até mesmo enriquecem com verbas proporcionadas por ONGs e instituições públicas. E há os picaretas de todas as magnitudes, que montam estatísticas, visuais e gráficos terroristas. Distorcem os fatos e estão sempre prontos a interpretar qualquer achado esquisito da natureza, como frutificações fora do tempo, canibalismo entre animais ou o assoreamento de lagoas e rios como prova incontestável da destruição sempre criminosa do meio ambiente provocada pela ação do homem.
Ecoindiferentes - Estes não estão nos debates. Não comparecem a conferências como a que terminou ontem em Copenhague, na Dinamarca. Não estão nem aí para o que acontece ou deixa de acontecer. Consideram essas discussões pura perda de tempo e avisam que há sempre algo mais interessante em que se ocupar ou em que gastar tanto dinheiro.
OESP, 19/12/2009, Economia, p. B2
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