JB, Pais, p.A3
20 de Jul de 2004
Farc negam posse de munições
MANAUS - As Forças Armadas Revolucionária da Colômbia (Farc) negaram ontem serem responsáveis pelas munições de uso exclusivo do Exército brasileiro descobertas na quinta-feira passada num depósito clandestino de Manaus (AM). Em nota divulgada por e-mail, as Farc afirmam que a munição encontrada em Manaus não era para guerrilha.
- A finalidade é confundir mais ainda a opinião do povo brasileiro - afirma a nota, acusando a polícia colombiana de supostamente ''misturar coca nos uniformes'' dos guerrilheiros para prejudicar a imagem das Farc.
Segundo o grupo, há poucos dias os militares colombianos divulgaram informações dando conta que munição foi encontrada em acampamentos da guerrilha, mas nada foi confirmado:
- Felizmente a guerra não se ganha na tela nem nas manchetes. Segundo o Exército, foram pegos no acampamento do Mono Jojoy (um guerrilheiro) 400 mil cartuchos, mas não apresentaram nenhum.
A Polícia Civil do Amazonas investiga as possibilidades de o material bélico encontrado em Manaus poderia ter sido utilizado para abastecer as Farc e grupos contrários ou aliados do presidente Hugo Chávez, na Venezuela.
Os dois homens encontrados acondicionando a carga em tonéis se recusam a esclarecer o caso, mas a polícia descobriu que um deles, o brasileiro Francisco Ferraz de Souza, 49 anos, tem registro na Justiça Federal por tráfico de drogas. Souza foi preso com 25kg de cocaína no Pará, em 2002, e também em 1997, no Amazonas, quando tentava alugar um avião para levar droga à Colômbia.
O Comando Militar da Amazônia também abriu inquérito militar para investigar se a carga foi roubada de algum quartel do Exército, e deu prazo de 30 dias para concluir a investigação.
A munição apreendida, avaliada pela Polícia Civil em R$ 160 mil, tem 8.795 cartuchos da marca CBC, além de 5.000 detonadores para explosivos.
Agência Folha
JB, 20/07/2004, p.A3
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