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Fantasma de Roraima enreda governador petista em fraude

JT, Política, p. A4
29 de Nov de 2003

Fantasma de Roraima enreda governador petisca em fraude
Ex-funcionária, incluída na folha fantasma do governo, diz à PF que Flamarion Portela (PT) participava do esquema que desviou R$ 320 milhões do Estado

Dois depoimentos colhidos pela Polícia Federal envolvem o governador de Roraima, Flamaaion Portela (PT), com o esquema da folha de pagamento paralela no Estado que desviou R$ 320 milhões em 3 anos.
Num deles, a ex-diretora da folha de salários da Secretaria de Administração Sônia Pereira Nattrodt diz que, a pedido de Flamarion e do então governador, Neudo Campos (PP), teve seu nome incluído na folha fantasma. Com as procurações, fraudadores recebiam os salários em nome dos fantasmas, conhecidos como "gafanhotos", alusão ao inseto que devora folhas com extrema rapidez.
O ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) de Roraima, Carlos Levischi, disse à PF que Flamarion chegou a lhe enviar listas de indicados que ganhariam os salários sem trabalhar. Segundo ele, o dinheiro era desviado de convênios com a União e remetido a uma conta única no DER, de onde era direcionado à folha fantasma.
A operação seria coordenada pelo então secretário de Fazenda, Roberro Leonel Vieira, que depois passou o controle a seu sucessor, Jorci Mendes. Segundo indícios já levantados, nas viagens de Neudo, Flamarion, então vice-governador, tinha conhecimento das fraudes.
Sônia disse que foi contratada a pedido de Flamarion, de quem era amiga. Na Secretaria de Administração, ela ganhava salário de R$ 2.500 por uma folha legal e o mesmo valor na folha paralela. Sônia contou à PF que pediu demissão em abril, depois de saber de outras irregularidades. Pela folha paralela, diz Sônia, o Estado desembolsava mensalmente R$ 5 milhões, sendo R$ 1,5 milhão a funcionários que trabalhavam e R$ 3,5 milhões para fantasmas indicados por políticos e conselheiros do Tribunal de Contas.
A assessoria de Flamarion diz que o governador vê as acusações como retaliação. Levischi teria ficado incomodado com a extinção do DER e Sônia, com a perda do cargo.
O presidente do PT, José Genoino, diz que o partido "confia" em Flamarion. "Não há nada que desabone a conduta do governador até o momento." Para Genoino, se não fosse o empenho do governador em levar para Roraima as forças federais, e em oferecer a infra-estrutura do Estado, a PF e o Ministério Público Federal não teriam descoberto o esquema. "0 PT apóia as investigações da força-tarefa", disse.

JT, 29/11/2003, Política, p. A4

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