VOLTAR

Faltam bom senso e consciência

O Globo, Opinião, p. 19
Autor: PAULI, Dante Ragazzi
19 de Ago de 2013

Faltam bom senso e consciência
A situação do saneamento no Brasil todo mundo conhece.

Dante Ragazzi Pauli

Resumindo, é ainda lastimável e há décadas "enxuga- se gelo". Os índices de atendimento desse serviço essencial à população progridem lentamente. Basta observar os números relativos a 2011, recentemente divulgados pelo Sistema Nacional de Informações do Saneamento - SNIS. Pelo levantamento, 631 municípios brasileiros tratavam menos de 10% do esgoto que recolhem!
Exaustivamente constatada, a situação precisa ser mudada. Isso exige ação, mais do que palavras. Cada ator, nesse cenário, precisa fazer a sua parte, como os prefeitos foram convocados a fazer.
A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental entende como necessária, por exemplo, a desoneração das empresas e serviços de saneamento, como ocorreu recentemente em outros setores da economia, com redução e/ou isenção de IPI, PIS e Cofins.
Por outro lado, os prestadores de serviço, sejam públicos ou privados, devem permanentemente aprimorar seus processos de gestão, reduzindo custos e evitando desperdícios. Enfim, apresentando resultados concretos ano a ano, de modo a atender todas as unidades em sua área de atuação, no mais breve espaço de tempo.
O volume de investimentos em saneamento deve ser aumentado pelos órgãos financiadores e os recursos liberados a fundo perdido, obedecendo a critérios claros e transparentes. A aplicação dos recursos na elaboração de projetos e suas obras de execução têm que ser fiscalizadas, e a prestação de contas, feita e cobrada.
Um agente muito importante nessa cadeia e que merece um capítulo à parte nessa análise é o usuário do serviço. Somos todos nós brasileiros que temos nossos carros arrastados pelos alagamentos de ruas mal drenadas, nossas casas destruídas em deslizamentos previsíveis, nosso serviço de saúde gastando ainda tempo e dinheiro no tratamento de doenças oriundas da falta de condições sanitárias. Somos todos nós brasileiros que assoreamos os rios construindo em suas margens, descartamos lixo em encostas, jogamos lixo na rua entupindo as redes de esgoto. Tudo é urgente no Brasil. Inclusive bom senso e consciência.
Um país que não cuida de seus recursos hídricos, do tratamento de seu esgoto, do descarte de seu lixo, de suas mazelas ambientais, gasta muito mais em saúde. É preferível gastar agora, e gastar bem, do que comprometer o bem-estar dos brasileiros que ainda não chegaram e que irão herdar erros e acertos das gerações que os antecederam.

Dante Ragazzi Pauli é presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental

O Globo, 19/08/2013, Opinião, p. 19

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.