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Falta política para mudanças climáticas

O Globo, Ciência, p. 26
10 de Set de 2013

Falta política para mudanças climáticas
Temperatura no Brasil pode aumentar de 3 a 6 graus até 2100

Marcelle Ribeiro
marcelle@sp.oglobo.com.br

SÃO PAULO- O Brasil já deveria estar se adaptando muito mais às mudanças climáticas, na opinião do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Carlos Nobre. Pouco antes do lançamento oficial do primeiro relatório de avaliação nacional sobre clima, produzido pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), Nobre demonstrou ontem a preocupação com a necessidade de haver mais políticas públicas e ações da iniciativa privada brasileira sobre transformações no meio ambiente que são, segundo ele, inexoráveis.
Projeções do PBMC indicam que a temperatura média no Brasil será de 3 a 6 graus Celsius mais elevada em 2100 do que no final do século XX, dependendo do padrão futuro de emissões de gases de efeito estufa.
O relatório mostra também que na Amazônia e na Caatinga a quantidade de chuvas pode ser 40% menor e, nos Pampas, há uma tendência de aumento de um terço nos índices de chuvas. Carlos Nobre reclama que apesar de o setor da agricultura brasileira tomar medidas de planejamento em relação às mudanças climáticas - porque os agricultores já estão sentindo na prática os efeitos das alterações no clima - em outras áreas não há ações sendo feitas.
- O Brasil já deveria estar se adaptando muito mais às mudanças climáticas. Por exemplo: é inexorável que o nível do mar vai aumentar. Não sabemos exatamente quando. Até o final do século pode ser 50 cm, até 1 metro, 1,20 metro. Isso não tem mais como mudar. Mas o Brasil tem políticas de uso do espaço costeiro de convivência com esse aumento? Não. Até agora não tem. É como se o nível do mar não existisse - disse Carlos Nobre.
O secretário diz que se preocupa muito com o desenvolvimento de políticas de adaptação no Brasil que assegurem uma transição para um desenvolvimento sustentável a curtíssimo prazo.
- Não é a médio prazo, dez anos, 20 anos, 30 anos - diz.
Segundo ele, o Ministério da Ciência e Tecnologia está fazendo o seu papel, de investir no desenvolvimento de pesquisas e geração de conhecimento, mas ainda falta uma maior integração entre pesquisas e criação de políticas. Na opinião dele, é preciso que outros setores do governo e outros agentes se mobilizem.
- Eu espero que essa reunião do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas sirva como um despertar, para chamar a atenção dos formuladores e da sociedade em geral, porque não existe formulação de política pública que não seja através de uma pressão social - disse. - (O ministério de Ciência) é o ministério que oferece diagnósticos. E muitas das políticas não são nem federais, elas são estaduais, setoriais, ou têm que ser adotadas pela iniciativa privada -completou Carlos Nobre.

O Globo, 10/09/2013, Ciência, p. 26

http://oglobo.globo.com/ciencia/brasil-deveria-estar-mais-adaptado-muda…

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