OESP, Vida, p. A16
09 de Nov de 2005
Falta política para Amazônia, conclui estudo
DESCOMPASSO: A raiz do fracasso do modelo socioeconômico vigente hoje na Amazônia - exploratório e insustentável ambientalmente - é conseqüência da falta de políticas públicas adequadas, não de dinheiro. Essa é uma das conclusões de um time de especialistas independentes para o Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7), vinculado ao governo federal, mas movimentado com fundos internacionais. "Se o governo tem US$ 1,4 bilhão para investir no Sivam/Sipam (plano de monitoramento da Amazônia), tem dinheiro para modernizar os Estados amazônicos."
O achado não é exatamente uma novidade, admite o atual presidente do grupo que fez o estudo, o cientista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele afirma, porém, que o quadro pode mudar caso o governo decida investir em tecnologia e na utilização de áreas já degradadas. "Há tentativas para conter a expansão da fronteira agrícola na Amazônia, mas parece que o País perdeu sua capacidade de planejar", disse Nobre durante o Mercado Floresta, evento que terminou ontem em São Paulo. "Em Novo Progresso (MT), existem 80 km2 voltados à exploração madeireira. E a indústria? Não tem lá."
O relatório detalha os principais problemas que travam o desenvolvimento de atividades sustentáveis na região. Entre eles, cadeias produtivas fracas ou incompletas, falta de acesso dos pequenos investidores a financiamentos, desregularização fundiária e despreparo das populações tradicionais. "Elas estão muito presas a um modelo assistencialista. É importante que entendam seu papel dentro do elo produtivo, que se coloquem de forma altiva e ativa."
Nobre reafirmou a urgência de mudar a forma de trabalhar na região. Ele lembra que políticas públicas demoram 15 anos para produzir retorno.
OESP, 09/11/2005, Vida, p. A16
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