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Falta política para agricultura nas estratégias nacionais de Redd, diz relatório

Amazônia - http://www.amazonia.org.br
08 de Jun de 2011

A maioria dos países que possuem grandes florestas tropicais considera a agricultura uma das principais causas do desmatamento, mas poucos têm algum tipo de política voltada para esse setor.

Segundo o relatório "Linking forests and food production in the Redd+ context", lançado hoje (8) pelo CGIAR (Consultative Group on International Agricultural Research), 16 de 20 países estudados consideram a agricultura o principal fator de desmatamento e degradação. No entanto, as políticas para segurança alimentar e expansão dos biocombustíveis estão desconectadas das discussões de conservação da floresta pelo mecanismo Redd - Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação.

Segundo o estudo, essas discussões deveriam caminhar juntas, já que o desmatamento corresponde a cerca de 18% das emissões globais de gases de efeito estufa, e a maioria dessas emissões ocorre quando as florestas são derrubadas para dar lugar à produção de alimentos e biocombustíveis.

"As estratégias de Redd dos governos não terão nenhuma credibilidade, a não ser que tenham como prioridade tratar de agricultura e segurança alimentar - esses são os principais vetores da destruição da floresta", explica Bruce Campbell, pesquisador do CGIAR. "A necessidade de estabelecer essas conexões é urgente porque a expansão da agricultura em áreas de floresta vai aumentar."

Brasil

O relatório analisa dois estudos de caso brasileiros - o da política nacional de redução do desmatamento e o caso específico do Estado do Acre. "O Brasil oferece um exemplo único de aumento da produção agrícola e, simultaneamente, redução das taxas nacionais de desmatamento", explica o estudo.

Segundo o estudo, isso acontece porque o país tem compromisso reduzir o desmatamento, um bom sistema de monitoramento e verificação, recursos financeiros e esforço coordenado entre instâncias estaduais, federais e comunidades locais e indígenas.

Redd

Redd, sigla para Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação, é um mecanismo negociado nas convenções internacionais do clima com o objetivo de gerar recursos financeiros para evitar a derrubada de florestas em países em desenvolvimento. Esses recursos poderiam ser provenientes de doações voluntárias (como a doação da Noruega para o Fundo Amazônia) ou por um mecanismo de mercado por créditos de carbono.

Atualmente, sete Estados amazônicos já formularam políticas estaduais para Redd. No plano federal, os recursos do Fundo Amazônia são administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Veja, em anexo, o relatório na íntegra em inglês: Linking forests and food production in the Redd+ context

http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=386292

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