OESP, Economia, p. B4
19 de Jun de 2010
Falta de definições embaralha Belo Monte
Interessados na usina, autoprodutores querem mais detalhes para decidir se entram ou não como sócios
Renée Pereira e David Friedlander
A definição dos autoprodutores de energia que serão sócios da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, ficou para a semana que vem. Em reunião ocorrida na quarta-feira, as empresas interessadas no projeto reclamaram da falta de informação para fechar contrato com o consórcio Norte Energia, vencedor do leilão da usina, em abril.
Para elas, faltam informações básicas para dar segurança à parceria, como o nome dos sócios da empresa que terá a concessão da usina, os fornecedores de equipamentos e quem vai construir o empreendimento. Até agora, afirmam fontes ligadas ao processo, os autoprodutores nem sequer sabem qual o preço da energia destinada a eles.
Às vésperas de assinar os contratos de Belo Monte, os comandantes das negociações, Valter Cardeal, diretor da Eletrobrás, e Adhemar Palocci, da Eletronorte, ainda não conseguiram responder as dúvidas das empresas.
Apesar disso, elas receberam, na quinta-feira, um ultimato de Cardeal: ou entram logo na sociedade ou desistem e abrem espaço para outros interessados.
Por enquanto, apenas a Gaia, do consórcio Norte Energia, está confirmada entre os autoprodutores. Braskem, Gerdau, CSN e Sinobrás estudam o projeto.
Obra. Outro ponto de atrito está na escolha de quem vai construir a usina. As empresas do Norte Energia, quase todas empreiteiras, esperavam ficar com a obra. Nos últimos dias, perceberam as três maiores construtoras do País - Camargo Corrêa, Odebrecht e Andrade Gutierrez - sobrevoando o governo na tentativa de fisgar o contrato.
Esta semana, Camargo e Odebrecht entregaram juntas suas propostas de preço. A Andrade também já entregou a sua. As três grandes construtoras montaram consórcios para disputar a concessão de Belo Monte. A Andrade foi até o fim, mas perdeu para o Norte Energia. Camargo e Odebrecht estavam juntas, mas desistiram. Diziam que o valor estipulado pelo governo, R$ 19 bilhões, era impossível de ser cumprido e que a usina não sairia por menos de R$ 30 bilhões.
Essa argumentação, agora, é usada pelos concorrentes. Fontes ligadas à Andrade acham que a desistência de Camargo e Odebrecht pode pesar a seu favor, por ter ido até o fim no leilão. E as empresas do Norte Energia, que não querem dividir o contrato, jogam veneno contra Camargo e Odebrecht. "Elas acharam que ao desistir inviabilizariam o leilão. Como não deu certo, voltaram e estão pressionando para pegar o contrato", diz um executivo ligado ao Norte Energia.
"São situações diferentes", diz um executivo do consórcio Camargo/Odebrecht. "A proposta do leilão, incluía obra, compra de equipamento, gerenciamento e responsabilidade por todos os riscos. Agora, discute-se um contrato de construção."
Para entender
Empresas criticam ritmo do governo
As empresas interessadas em Belo Monte criticam a pressa do governo para assinar o contrato de concessão, em julho. Pelo cronograma original, isso ocorreria em setembro. Normalmente, os consórcios chegam ao leilão já sabendo quem serão seus fornecedores. Como o consórcio Norte Energia foi montado de afogadilho, esse processo está sendo feito só agora. E o governo quer que os interessados decidam rápido, mesmo sem ter todas as condições definidas.
OESP, 19/06/2010, Economia, p. B4
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100619/not_imp568859,0.php
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