OESP, Vida, p. A19
31 de Out de 2007
Fabricantes irregulares operam em área desmatada
Herton Escobar
Parte do leite que chega aos mercados do Sul e do Sudeste (principalmente na forma de queijo) está sendo produzido ilegalmente na região de São Félix do Xingu (PA), o município que mais destrói floresta na Amazônia. Só 5 das 21 empresas instaladas na região são legalizadas, com registro no Ministério da Agricultura. Mesmo essas, segundo pesquisadores, compram material de fábricas irregulares, abastecidas por pequenos produtores em áreas de desmatamento.
A produção é canalizada para empresas autorizadas no município vizinho de Tucumã, de onde é distribuída com o selo de qualidade do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do ministério para quase todas as capitais. "Quem mora em São Paulo e Rio provavelmente já comeu queijo ou bebeu leite de São Félix do Xingu", disse a pesquisadora Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi.
O mapeamento da cadeia é um dos resultados da Rede Temática de Pesquisa em Modelagem Ambiental da Amazônia (Rede Geoma), que congrega seis institutos de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia. Os resultados foram apresentados ontem no simpósio de aniversário de cinco anos do programa, em Petrópolis (RJ). O estudo abrangeu toda a "bacia leiteira" de São Félix do Xingu a Água Azul do Norte. Cerca de 90% do leite produzido na região vira queijo tipo mussarela e parmesão, segundo a geógrafa Maria do Carmo Américo, do Geoma, que realizou a maior parte do estudo.
O produto é vendido a pizzarias, restaurantes e grandes supermercados das capitais. Uma parte pequena é comercializada como leite em caixinha. Outra é transformada em leite coalho, para abastecer vendedores de praia no Rio. A região produz cerca de 150 mil litros de leite por dia, ou 4,5 milhões de litros por mês.
OESP, 31/10/2007, Vida, p. A19
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