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Fábrica paraguaia da Rio Tinto deve afetar Brasil

OESP, Economia, p. B4
25 de Dez de 2012

Fábrica paraguaia da Rio Tinto deve afetar Brasil
Operação de alumínio vai consumir muita energia de Itaipu e oferta de eletricidade para exportação deve cair, diz presidente de país vizinho

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES

Em meio aos problemas do setor elétrico brasileiro, que teve apagões e empresas insatisfeitas com mudanças de regras, o Brasil pode sofrer mais um revés. Ontem, o presidente do Paraguai, Federico Franco, afirmou que o país vizinho consumirá mais energia com a futura instalação de uma fábrica de alumínio e, assim, deve exportar menos eletricidade ao Brasil e à Argentina.
Ou seja, além de pedir aumento dos preços, o governo paraguaio agora sinaliza a perspectiva de reduzir o volume de eletricidade vendida. "O Brasil paga hoje US$ 240 milhões pela energia de nove turbinas de Itaipu que correspondem à parte paraguaia. Pela energia de apenas uma turbina, a Rio Tinto pagará muito mais do que as nove turbinas", disse, em entrevista ao canal de televisão Telefuturo na manhã de domingo, segundo o jornal ABC Color de Assunção.
Na conversa, o principal tema foi a instalação no país de uma fábrica da Rio Tinto Alcan, braço da anglo-australiana que produz alumínio. Com a unidade, a demanda paraguaia por energia aumentará e o volume disponível para exportação cairá, explicou o presidente.
A sinalização aconteceu menos de 48 horas após a assinatura de um protocolo de intenções entre o governo de Franco e a multinacional.
Conforme o documento assinado na sexta-feira, a Rio Tinto pretende instalar um complexo para fabricação de alumínio e pode consumir mais de uma turbina de Itaipu, cerca de 1.100 megawatts, ou 7% da produção da usina binacional.
Durante a entrevista, segundo o ABC Color, Franco disse que a chegada da Rio Tinto ao Paraguai representa o início da "soberania energética" do país e que, com isso, "Brasil e Argentina começarão a respeitar o Paraguai".
Reação. O Ministério de Minas e Energia não comentou as declarações do presidente paraguaio. De acordo com a assessoria de imprensa, os técnicos responsáveis pela área que cuida de Itaipu não foram localizados por causa da folga de Natal.
A pasta, porém, pode emitir um posicionamento amanhã, quando as equipes retornarem do feriado.
Em outras ocasiões nas quais o presidente Franco ameaçou o País com a diminuição da venda de energia de Itaipu, a posição foi sempre a mesma - os paraguaios têm o direito de utilizar até metade da eletricidade produzida pela usina binacional, mas estão obrigados pelo tratado de construção da hidrelétrica a vender o restante para o Brasil. / COLABOROU EDUARDO RODRIGUES

Rival da Vale foca crescimento em minério de ferro

Concorrente direta da Vale, a anglo-australiana Rio Tinto é a segunda maior mineradora de ferro do mundo - a companhia brasileira é a primeira do ranking.
Como todas as empresas do setor, vem sofrendo com a queda na demanda mundial por commodities. Planeja cortar US$ 7 bilhões nos próximos dois anos, por meio de economia de custos, revisão de projetos e da venda ou desativação de alguns ativos, como minas de carvão da Austrália. Apesar disso, foi uma das poucas produtoras globais a anunciar que pretende preservar os investimentos em minério de ferro. A intenção é investir US$ 21 bilhões para aumentar a capacidade de produção.

OESP, 25/12/2012, Economia, p. B4

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