O Globo, Ciência, p. 38
05 de Dez de 2012
Extremos climáticos são cada vez mais comuns, alerta Nações Unidas
Secretário-geral fez apelo por um acordo na reunião do clima, em Doha, no Qatar
NATHÁLIA CLARK
Especial para O GLOBO
ciencia@oglobo.com.br
Extremos climáticos já são considerados normais e representam uma ameaça à espécie humana, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki Moon, ao tentar destravar as negociações sobre o clima em Doha, no Qatar, na COP-18. Ban fez um apelo por uma extensão, ainda que simbólica, do Protocolo de Kioto - o acordo pelo qual 35 nações ricas se comprometem a cortar emissões e que expira este mês.
Em discurso feito para representantes de mais de 200 países, Ban citou o derretimento recorde de gelo no Ártico este ano, as supertempestades e o aumento do nível do mar como sinais da crise.
- O anormal é o novo normal - disse ele para os delegados, acrescentando que os sinais de mudanças climáticas estão em toda parte, "dos Estados Unidos à Índia, da Ucrânia ao Brasil, secas dizimaram cultivos essenciais". - Ninguém está imune às mudanças climáticas, seja rico ou pobre. Trata-se de um desafio existencial para toda a raça humana, nosso estilo de vida, nossos planos para o futuro.
Hoje, começam a chegar a Doha ministros de diversos países. Mas não há muita esperança em se conseguir uma extensão para Kioto, o que, por sua vez, está dificultando o estabelecimento de bases para um novo tratado global da ONU, a ser acordado até 2015 para entrar em vigor em 2020.
Kioto é importante por estabelecer um compromisso legal, ainda que simbólico. Sem a participação dos EUA (um dos maiores emissores) e depois da saída de Rússia, Japão e Canadá, seus cortes cobrem apenas 15% das emissões globais responsáveis pelo efeito estufa. Um novo acordo abarcaria também os países em desenvolvimento (que ficaram de fora de Kioto), caso da China, atualmente o maior emissor do mundo, da Índia e do Brasil. Um novo acordo depende ainda de compromissos financeiros na ordem de US$ 100 bilhões até 2020.
Ontem, o Reino Unido foi o primeiro a se comprometer financeiramente. Enquanto alguns países desenvolvidos se recusam a colocar seus recursos na mesa de negociações, o Reino Unido anunciou o primeiro novo compromisso de investimento no Fundo Verde para o Clima. Serão destinados 1,8 bilhões de libras (US$ 2,89 bilhões) para os próximos dois anos, dos quais 50% serão direcionados para ações de adaptação aos efeitos do aquecimento global em países em desenvolvimento.
Apesar de ainda bastante aquém dos U$ 100 bilhões por ano esperados até 2020 durante a segunda fase do Protocolo de Kioto, ainda assim o número representa um aumento de 50% se comparado ao investimento anterior do país, de 2010 a 2011.
O Globo, 05/12/2012, Ciência, p. 38
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